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Ex-presidente Poroshenko retorna à Ucrânia para encarar tribunal

Por Espiaaqui em 17/01/2022 às 19:28:34

O ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko retornou nesta segunda-feira (17) a Kiev, onde enfrentará um tribunal que o julgará por traição, acusação que ele alega ter motivações políticas. O caso pode respingar na crise crise com a Rússia, de acordo com a rede Voice of America (VOA).

O político desembarcou no aeroporto da capital, vindo em um voo de Varsóvia, na Polônia. Poroshenko, que havia deixado o país natal há um mês, foi recebido por milhares de apoiadores, que ergueram faixas com mensagens como “Precisamos de democracia” e “Parem com a repressão”.

O ex-líder, principal opositor do atual presidente, Volodymyr Zelensky, fez um rápido discurso à sua militância e então dirigiu-se ao tribunal de Kiev, que irá decidir se o coloca em prisão preventiva. “O poder está confuso e fraco. Em vez de lutar contra Putin, está tentando lutar contra nós”, afirmou o ex-chefe de Estado à multidão de seguidores.

Apoiadores reunidos no aeroporto de Kiev à espera da chegada do líder da oposição Poroshenko (Foto: Twitter/Reprodução)

Um promotor acusa Poroshenko, magnata proprietário de uma grande confeitaria local, a Roshen, de envolvimento na venda de grandes quantidades de carvão que teriam ajudado a financiar, no período de 2014 a 2015, forças separatistas apoiadas pela Rússia que enfrentam o exército ucraniano na região oriental de Donbass. Como parte da investigação, ele teve seus ativos congelados e pode pegar até 15 anos de prisão.

O político garante que é inocente e acusa seu sucessor, Zelensky, de sustentar uma campanha que o desacredita politicamente e que teria o intuito de tirar o foco dos problemas no país, incluindo questões de ordem econômica e óbitos por Covid-19 em alta.

Tais acusações repercutiram em temores sobre um eventual acerto de contas antidemocrático na Ucrânia, além de gerar celeuma entre os aliados da ex-república soviética. As afirmações de Poroshenko vêm em um momento em que a Rússia tem tropas posicionadas ao longo da fronteira com os vizinhos e os Estados Unidos têm se mostrado preocupado com as intenções de Putin em ordenar uma invasão.

Hoje no banco dos réus, Poroshenko emergiu com fortes “credenciais patrióticas” devido ao seu trabalho na reconstrução do exército ucraniano enquanto combatia combatentes rebeldes apoiados pelo Kremlin no leste. Ele acabou derrotado por conta um escândalo de corrupção e um histórico misto de reformas.

Seus apoiadores consideram as acusações “politicamente motivadas”. “É uma vingança das autoridades e uma tentativa de Zelensky de eliminar seu maior rival na política da Ucrânia”, disse Anton Ivashchenko, 42, à agência Associated Press no aeroporto. “A perseguição de Poroshenko semeia animosidade e discórdia entre aqueles que pressionam por laços mais estreitos da Ucrânia com o Ocidente”.

Por que isso importa?

A Rússia apoia os separatistas ucranianos que enfrentam as forças de Kiev na região leste da Ucrânia desde abril de 2014. O conflito armado, que já matou mais de dez mil pessoas, opõe o governo ucraniano às forças separatistas das autodeclaradas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, que formam a região de Donbass.

O conflito fez aumentar a tensão entre os dois países, que já era alta desde a anexação da Crimeia pela Rússia. Em 2021, a situação ficou especialmente delicada, com a ameaça de uma invasão russa à Ucrânia.

Washington tem monitorado o crescimento do exército russo na região fronteiriça e compartilhou informações de inteligência com seus aliados. Os dados apontam um aumento de tropas e artilharia russas que permitiriam um avanço rápido e em grande escala, bastando para isso a aprovação de Putin e a adoção das medidas logísticas necessárias.

Especialistas calculam que a Rússia tenha entre 70 mil e 100 mil soldados nas proximidades da Ucrânia, sendo necessária uma força de 175 mil para invadir, além de mais combustível e munição. Conforme o cenário descrito pela inteligência dos EUA, as tropas russas invadiriam o país vizinho pela Crimeia e por Belarus.

Um eventual conflito, porém, não seria tão fácil para Moscou como os anteriores. Isso porque, desde 2014, o Ocidente ajudou a Ucrânia a desenvolver e ampliar suas forças armadas, com fornecimento de armamento, tecnologia e treinamento. Assim, embora Putin negue qualquer intenção de lançar uma ofensiva, se isso ocorrer, as tropas russas enfrentariam um exército ucraniano muito mais capaz de resistir.

Fonte: areferencia

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