SISMA-MT
ESPIA AQUI CURSOS

PF do MT recusa notícia-crime de jornalista que deixou o estado após ameaças

Segundo Alexandre Aprá, existe um plano para difamá-lo por causa de reportagens sobre um suposto esquema de corrupção no governo estadual

Por Victor Félix em 17/09/2021 às 11:42:10
reprodução

reprodução

A Polícia Federal do Mato Grosso recusou uma notícia-crime apresentada por Alexandre Aprá, do site Isso É Notícia, contra o governador Mauro Mendes. Segundo o jornalista, existe um plano para difamá-lo e incriminá-lo por causa de reportagens publicadas em seu blog sobre um suposto esquema de corrupção no governo estadual. O jornalista pediu investigação contra o governador, a primeira-dama Virgínia Mendes e a empresa ZF Comunicação, de Ziad Fares que, segundo Aprá, teriam contratado um detetive particular para investigá-lo.

Em nota, a Secretaria de Comunicação do Mato Grosso escreveu que a notícia-crime foi negada pelo delegado Renato Sayao Dias por falta de "elementos mínimos" contra o governador. "Nos arquivos encaminhados através de um disco rígido, não existe, ao que nos parece, nenhum indício de materialidade de crime cometido por autoridade com foro privilegiado", diz trecho do despacho.

Segundo o delegado, a denúncia de Aprá não apresentou descrição de "nenhum ato praticado pelo governador do Estado". A PF destacou ainda a "ausência de elementos mínimos de indício de cometimento de crime".

Desde 2013, Aprá publica reportagens sobre suspeitas de irregularidades envolvendo o governador do estado, a primeira-dama e a empresa ZF Comunicação. À PF, declarou que foi informado por colegas de que o site precisaria parar de publicar tais reportagens e que o detetive particular Ivancury Barbosa teria sido contratado para incriminá-lo por tráfico de drogas e abuso sexual de menores. Segundo Aprá, os financiadores da investigação seriam o governador, a primeira-dama e o dono da ZF Comunicação.

Aprá, que deixou o Mato Grosso por temer por sua integridade física, disse que usou um amigo para se aproximar do detetive e colher informações paralelas: "Apelei a essa estratégia para salvar minha vida, tive que agir e um amigo se fez passar por meu inimigo".

Em mensagens enviadas pelo detetive a Aprá, fica claro que ele queria obter informações do jornalista: "Você esculacha todo mundo nos jornais, você gosta de fazer isso (…) Nenhum detetive foi contratado para te matar, para fazer nada com você, só para pegar que você usa cocaína, certo? (…) Nesta sorte, deu certo também que eu achei mais uns quatro traficantes que fala sempre com você direto, traficante, que você é ligado. Então eu acho que era bom você ficar meio quieto com isso aí (…) Ninguém vai fazer nada de mal com você não, agora você também não vai continuar com este jornalzinho marrom seu aí esculachando todo mundo (…) Eu acho que você é um cara inteligente, acho que você vai parar com isso (…) Ninguém tá com medo de você não. Você sai com moleque e é pedófilo. Eu descobri tudo isso…".

Em entrevista a um site local, o detetive negou as acusações. Ele admitiu que foi contratado para investigar o jornalista, mas negou ter intenção de matar Aprá e negou que Ziad Fares, o governador Mauro Mendes e a primeira-dama Virgínia Mendes tenham contratado seus serviços. Por meio de sua assessoria, o dono da ZF Comunicação também negou que contratou o detetive e declarou que a denúncia de Aprá "não corresponde com a verdade".

À Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Aprá disse que está atualmente em um local não identificado. Vale lembrar que ele foi um dos selecionados para o Programa de Proteção Legal para Jornalistas da Abraji.


Fonte: portaldosjornalistas

Comunicar erro
UNIFLOR

Comentários

HBL
Link112