Música transforma vidas na Escola da Vila Operária

Da Redação
Resgate emocional através das notas musicais
A música transformou a vida de Ivanei Rosa de Lima, professora de matemática e musicista, que encontrou alento em momentos difíceis. Ela começou a tocar clarinete aos 14 anos em uma orquestra de igreja.
Posteriormente, enfrentou período crítico após divórcio e demissão. A arte se tornou seu refúgio durante essa fase delicada. Ivanei trabalhou como voluntária nas apresentações da Banda Municipal, descobrindo novo propósito.
“A música me resgatou do fundo do poço. Nos ensaios conseguia esquecer os problemas”, confessa. As apresentações públicas devolveram sua autoestima e reconhecimento pessoal. “Usando meu dom, podia fazer bem às pessoas”, relembra.
O dom musical passa de geração em geração
Observando o mesmo pendor melódico em seu filho Aldo Rogerio de Lima Guimarães, Ivanei estimulou a vocação do garoto. Em 2019, pouco antes da pandemia, o menino demonstrou grande interesse pela música.
Durante o isolamento, pesquisou sobre o assunto e estudou flauta. Ao ganhar um teclado, surpreendeu todos com sua naturalidade. Na Escola Municipal de Música Adão Casemiro de Oliveira, professores constataram que Aldo possui ouvido absoluto.
Essa capacidade rara permite identificar notas musicais apenas ao ouvi-las. Ao retomar aulas presenciais, aprendeu clarinete e foi convidado para a Banda Municipal após dois meses.
Hoje com 12 anos, Aldo ocupa cadeira na Orquestra Municipal de Rondonópolis. “Prefiro piano e clarinete, e me identifico mais com o estilo clássico”, compartilha o jovem musicista.
Ouvido absoluto: fenômeno musical explicado
O professor de violão Nilton Abreu de Oliveira acompanha Aldo e testemunha sua genialidade musical. Segundo o mestre, a habilidade “desabrochou a partir das aulas de solfejo, quando conheceu as notas musicais”.
Nilton destaca que o aluno “apresenta percepção e memória musical muito apurada”. “Acordes, notas, intervalos, ritmos e melodias estão internalizados de forma assombrosa”, detalha maravilhado.
Essa internalização musical permite que o adolescente assimile sons rapidamente. “Apresenta performance que só é vista em quem já está no conservatório”, avalia o professor.
Segundo Nilton, Aldo pode ser considerado tanto prodígio quanto virtuose. “O virtuose executa com maestria. O prodígio manifesta o dom muito cedo”, explica a diferença. “Juntando técnica com aptidão inerente, vai tocar absurdamente”, vaticina.
A inspiração familiar contagia a caçula
Inspirada pela mãe e pelo irmão, Rosa Gabriela de Lima Guimarães, de 9 anos, também desejou aprender música. “Eu via minha mãe tocando na igreja e ficava com vontade de tocar junto”, diz a menina.
Ivanei prontamente a matriculou na Escola de Música da Vila Operária. Rosa escolheu a escaleta como instrumento e com dedicação já domina suas primeiras peças.
“A primeira música que toquei foi ‘O pastorzinho’. Foi minha mãe que me ensinou”, contabiliza orgulhosa. Além disso, está aprendendo a ler partitura.
Sonhadora, a menina idealiza seu futuro: “É muito legal ver minha mãe tocar. Quero fazer igual quando crescer”, afirma decidida.
Desafiando a idade: realização aos 75 anos
A música também conquistou dona Isabel Bento de Lima, de 78 anos, avó da família. Aos 60 anos, tentou se matricular em turma de violino, mas enfrentou rejeição.
“Não me aceitaram por causa da minha idade”, lamenta. “Fiquei muito triste e chocada, porque sabia que era capaz”, relembra a frustração vivida.
Após a pandemia, surgiu a oportunidade esperada. Aos 75 anos, dona Isabel ingressou na escola municipal de música. “Esse foi o primeiro passo para a realização do meu sonho”, explana.
Posteriormente, iniciou aulas de violino, seu instrumento preferido. “Acho seu som o mais bonito de todos”, afirma apaixonada pela corda.
Além do violino, descobriu afinidade com outros instrumentos. “Notei que o teclado é um dos mais fáceis. Para praticar, estou fazendo aulas de teclado e violão”, relata.
A música lhe trouxe bem-estar profundo. “Ao viver meu sonho de estudar música, sinto-me feliz, plena. Minha mente entrou em estado de paz”, proclama realizada.
A universalidade curadora da música
A música acolhe pessoas independentemente de idade, classe social ou qualquer diferença. O professor Nilton defende essa inclusão veemente. “Para estudar música não há idade, mas ajustes de acordo com a fase da vida”.
Os benefícios ultrapassam o deleite estético e alcançam transformações profundas. Segundo o violonista, alunos de todas as idades desenvolvem-se bem.
“Os benefícios que esse aprendizado traz são incomensuráveis. A musicalidade provoca felicidade e, quando consegue tocar, o aprendiz tem autoestima elevada”, resume. Dessa forma, a música transforma dor em alegria.
Como participar
Interessados em aprender instrumento ou participar de aulas de canto devem acessar o link https://forms.gle/ev1JXvcM2b2Zy3dp8. As matrículas estão abertas até 31 de agosto.
Para esclarecimentos, contato pelo telefone (66) 9 8413-5944, segunda a sexta, das 7h às 11h e das 13h às 17h30.
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