Certificados ambientais podem acelerar descarbonização das companhias aéreas

Da Redação
A produção mundial de combustível de aviação sustentável (SAF) deve alcançar 2,4 milhões de toneladas em 2026. Isso representa apenas 0,8% do consumo de querosene de aviação esperado pelo setor neste ano. A distância ainda é significativa rumo aos compromissos de descarbonização plena até 2050 das companhias aéreas.
Alcançar os objetivos de 2050 demandará aproximadamente 500 milhões de toneladas anuais de SAF. Comparado ao nível projetado para 2026, será necessário aumentar a produção anual cerca de 200 vezes.
Estudo sobre certificados ambientais
Pesquisa divulgada pela Associação de Transporte Aéreo Internacional (IATA), Airbus e consultoria Accenture analisa o papel dos Certificados Ambientais (EAc) do SAF. Esses certificados podem simplificar a transição energética da indústria de transporte aéreo.
Segundo o estudo, o SAF é a maior alavanca para descarbonizar o transporte aéreo. Companhias aéreas buscam reduzir emissões diretas de Escopo 1. Um número crescente de clientes busca lidar com suas emissões indiretas de Escopo 3.
Sistema de negociação de atributos ambientais
Os objetivos de ambos os grupos podem ser acelerados permitindo negociar separadamente os Atributos Ambientais do SAF. Isso funciona tanto para Escopo 1, quanto para Escopo 3, na forma de certificados ambientais (EAc).
Um mecanismo para isso é o sistema de rastreamento chamado “book-and-claim” (registro e reivindicação). Permitir que empresas atinjam objetivos de Escopo 3 por meio de compras de SAF EAc ajudaria a compartilhar custos.
Isso expandiria o mercado para mais participantes da cadeia de valor. Seria necessário um sistema robusto de contabilidade que permita reivindicar benefícios de redução de emissões independentemente de onde o combustível seja entregue.
Posicionamento de lideranças
Marie Owens Thomsen, vice-presidente sênior de Sustentabilidade e economista-chefe da IATA, afirmou que o SAF é a alavanca de descarbonização mais importante da aviação. Alertou que companhias aéreas não podem arcar sozinhas com o custo de ampliar seu uso.
“Os compradores corporativos têm oportunidade única de ajudar a construir o mercado SAF e contribuir para o custo da transição energética do transporte aéreo”, disse Thomsen. Ela destacou que empresas podem se beneficiar de reduções de emissões reconhecidas no Escopo 3.
Para Julien Manhes, vice-presidente de Desenvolvimento de Remoção de Combustíveis e Dióxido de Carbono para Aviação Sustentável da Airbus, a demanda corporativa é catalisador inexplorado. “Ao dar aos investidores corporativos a certeza contábil de que precisam, o sistema pode transformar interesse em compromissos firmes”, afirmou.
Participação corporativa atual
De acordo com o GBTA Foundation’s Sustainability Acceleration Challenge de 2025, aproximadamente 15% das empresas compram EAc de Escopo 3 atualmente. Doze por cento planejam começar em até um ano, enquanto 64% não compram nenhum.
As compras individuais variam de menos de US$ 25 mil a mais de US$ 1 milhão por ano. O preço é o critério de decisão dominante na escolha dos certificados.
Questões de precificação e sustentabilidade
A US$ 150 a US$ 500 por tonelada de CO₂e evitada, os SAF EAc estão entre as opções mais caras para lidar com emissões de Escopo 3. Remoções baseadas na natureza custam aproximadamente US$ 15 a US$ 40 por tonelada.
A disposição a pagar reportada situa-se mais próxima de US$ 300 por tonelada. Além do preço, compradores aplicam suas próprias condições sobre sustentabilidade da matéria-prima e certificação.
Segmentação do mercado downstream
Quatro grandes segmentos compõem o mercado downstream, correspondendo a diferentes tipos de emissões de Escopo 3. Empresas corporativas compram EAc para mitigar emissões de viagens de negócios.
Embarcadores de carga carregam suas emissões de frete aéreo no Escopo 3. Agentes de carga atuam como compradores e vendedores, situando-se entre os dois. Passageiros individuais participam apenas voluntariamente.
A demanda geral está concentrada entre grande número de grandes compradores corporativos nos setores bancário e de serviços financeiros. Tecnologia, serviços profissionais e logística também representam demandas significativas.
Projeções de crescimento
A demanda downstream por EAc de Escopo 3 atingiu cerca de 323 mil toneladas em 2024. Pode crescer de três a seis vezes até 2030, chegando a entre 1,0 e 1,9 milhão de toneladas, segundo o estudo.
Isso demonstra a significância potencial da participação corporativa. Entretanto, trata-se de um mecanismo de lançamento, e não de uma solução de longo prazo por si só.
Medidas necessárias
À medida que o SAF escala, o desafio de custo exigirá políticas públicas de apoio. Reconhecimento global de abordagens contábeis confiáveis como o “book-and-claim” também é essencial.
Mecanismos de mercado devem permitir que companhias aéreas e seus clientes extraiam valor dos atributos ambientais, segundo o estudo.
Fonte: InfoMoney
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