IBGE aponta que 67% das crianças em trabalho infantil são negras

Da Redação
Crianças e adolescentes de cor ou raça preta e parda representam 67% do contingente em situação de trabalho infantil no Brasil. O IBGE divulgou os dados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) nesta sexta-feira (16).
Em 2025, o Brasil contava 1,499 milhão de brasileiros entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil.
Disparidade nas taxas de incidência
Enquanto crianças e adolescentes pretos e pardos constituem 59,7% da população dessa faixa etária, sua participação entre os trabalhadores infantis salta para 67%. A taxa de incidência alcança 4,4% para jovens pretos e pardos.
Para crianças e adolescentes brancos, o percentual é de 3,2%. Esse grupo representa 39,5% da população de 5 a 17 anos, mas responde por apenas 32% dos casos de trabalho infantil.
Piores formas de trabalho infantil
A desigualdade racial se acentua nas atividades perigosas ou insalubres da Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil. Em 2025, registraram-se 525 mil crianças e adolescentes nessas ocupações.
Do total em maior risco à saúde e vida, 68,3% eram de cor ou raça preta ou parda.
Trabalho infantil entre beneficiários de programas
Entre crianças e adolescentes em trabalho infantil residindo em domicílios do Programa Bolsa Família, a proporção de pretos ou pardos atinge 78,9%. Crianças brancas representavam 19,5% dos trabalhadores infantis nesse grupo beneficiário.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) define trabalho infantil como aquele perigoso e prejudicial à saúde e desenvolvimento das crianças, interferindo na escolarização.
Redução no número de casos
Em 2025, houve retração de 9,2% no trabalho infantil comparado ao ano anterior, atingindo o menor nível da série histórica iniciada em 2016. Todas as faixas de idade registraram redução.
A prevalência aumenta com a idade: 1,1% entre crianças de 5 a 13 anos, 5,9% de 14 a 15 anos e 14,5% de 16 a 17 anos.
Distribuição regional e diferenças por gênero
O Sudeste concentrava o maior contingente com 481 mil crianças e adolescentes. Nordeste tinha 408 mil, Norte 249 mil, Sul 233 mil e Centro-Oeste 128 mil.
Em termos proporcionais, o Norte apresentou 6,3%, a maior taxa do país. O Sudeste registrou 3,3%, a menor proporção.
Entre 2024 e 2025, a população masculina em trabalho infantil caiu 10%, de 1,089 milhão para 980 mil. A população feminina reduziu 7,5%, de 561 mil para 519 mil.
Fonte: CNN Brasil
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