Copom reduz Selic a 13,75% com cautela antes de eleições

*Da Redação*
O Comitê de Política Monetária cortou a Selic a 13,75% nesta quarta-feira em decisão unânime. O mercado esperava o movimento, que reflete moderação da inflação e da atividade econômica.
Sem sinalização clara sobre próximas reuniões, o Banco Central gerou divergência entre analistas. Alguns preveem pausa nos cortes, enquanto outros veem espaço para continuidade gradual das reduções.
Economistas veem possível fim do ciclo de cortes
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, avalia que este corte é o último de 2026. Ele cita riscos no quarto trimestre e explica a resiliência dos preços de serviços em torno de sete por cento.
Felipe Salles, do C6 Bank, concorda que melhorias recentes da inflação são temporárias. Para ele, praticamente não existe espaço para novos cortes de juros no horizonte.
Marcos Praça da ZERO Markets e Ricardo Trevisan da Gravus Capital apontam que apertos globais reduzem liberdade do Brasil para prosseguir com quedas.
Dados domésticos ainda sustentam continuidade
A XP Macro projeta que a desaceleração econômica permitirá novos cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões. A taxa chegaria a 13,25% ao término de 2026.
Beto Saadia, da Nomos, destaca que inflação cheia e núcleos estão abaixo do teto. Felipe Queiroz, da APAS, ressalta que o Brasil mantém juros reais elevadíssimos comparados globalmente.
Geopolítica e clima adicionam pressão ao BC
José Márcio Camargo, da Genial Investimentos, avisa que desaceleração inflacionária pode reverter. El Niño intenso e preço de petróleo acima de cem dólares trazem riscos futuros.
Gustavo Sung reforça que El Niño superforte impactará alimentos in natura. Petróleo elevado pode gerar choques secundários na economia brasileira.
Silêncio estratégico antes das urnas
Esta decisão foi a última antes das eleições presidenciais, adicionando componente fiscal relevante. A falta de sinalização pode ser estratégia deliberada do Banco Central.
João Debom, da Supernova Investimentos, aponta que o Copom evitou sinalizar sobre novembro. O Banco Central comprou tempo e flexibilidade num momento sensível eleitoralmente.
Rafael Ihara, da Meraki Capital, indica que mercado aguarda clareza na agenda fiscal do próximo governo. Juro, bolsa e câmbio operam focados apenas em eleição.
Renda fixa segue atrativa enquanto taxa cai
O alívio para consumidores e empresários ainda é visto como distante pelos analistas. Fabrizio Gammino, da Grownt, explica que corte é apenas matemático sem devolver confiança.
Ana Priscila Kologeski, consultora da Unicred Porto Alegre, recomenda travar taxas em prefixados. Com Selic em trajetória de queda, futuras rentabilidades em renda fixa serão menores.
Na construção civil, Alex Sales da Alumbra Empreendimentos projeta resposta mais forte dos compradores com continuidade dos cortes. Primeiros reflexos aparecem na estruturação de novos projetos.
Casas divergem sobre Selic em fim de 2026
Santander Brasil, C6 Bank, BV e Suno Research ancoram estimativas na mediana Focus. Projetam Selic paralisada em 13,75% até dezembro de 2026.
A XP Macro projeta taxa em 13,25% e possível chegada a 11,50% em meados de 2027. Camilo Cavalcanti, da Oby Capital, prevê pausa após um corte em novembro.
Fonte: InfoMoney
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