CPI dos Consignados em Mato Grosso: Líder do Governo Avalia Baixas Chances de Prosperar

Deputado Dilmar Dal Bosco (União) defende que investigações em andamento pela Polícia Federal, Civil e Ministério Público já cobrem a matéria, e que o calendário legislativo e eleitoral inviabiliza a apuração paralela.

Jul 17, 2026 - 07:20
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CPI dos Consignados em Mato Grosso: Líder do Governo Avalia Baixas Chances de Prosperar
Fred Moraes/Gazeta Digita

A possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os contratos de empréstimos e cartões consignados dos servidores públicos do estado de Mato Grosso encontra um forte ceticismo por parte do líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Dilmar Dal Bosco. Em entrevista concedida ao portal Gazeta Digital, o parlamentar avaliou que a proposta, que tem ganhado força entre a oposição, possui "poucas chances de prosperar" na Casa.

Dal Bosco fundamenta sua posição na existência de investigações já em curso por parte de órgãos de controle como a Polícia Federal, a Polícia Civil e o Ministério Público. Para o deputado, a abertura de uma CPI neste contexto seria redundante e perderia o sentido prático, uma vez que as instituições competentes já estariam dedicando recursos e esforços à apuração dos fatos.

"É um direito do parlamento. Agora, você viu que teve uma operação da Polícia Federal. Nós vamos abrir uma CPI para quê? Para entregar para a Polícia Federal, que já tem toda a investigação? Vamos entregar para a Polícia Civil, que já está investigando? Para o Ministério Público, que já está? O que nós vamos contribuir?", questionou o líder do governo, sugerindo que o papel da Assembleia Legislativa seria mais de colaboração e fornecimento de informações aos órgãos já atuantes. "Nós podemos pedir informações, pedir dados, para ajudar eles, se eles não tiverem acesso", complementou.

Além da sobreposição de investigações, o deputado Dilmar Dal Bosco apontou o calendário legislativo e eleitoral como um obstáculo significativo para a instalação e o funcionamento efetivo de uma comissão de investigação neste momento. A proximidade do recesso parlamentar e o início das campanhas eleitorais, segundo ele, dificultam a dedicação integral dos deputados ao trabalho minucioso que uma CPI demanda.

"O momento é que está todo mundo indo para o recesso e todo mundo vai para a campanha, pelo que eu sei. Não vão ter tempo de se dedicar ao que seria o dia a dia de uma apuração, de investigação, de estar atrás, correndo. Então, já meio que nasce morta", declarou o parlamentar, demonstrando convicção de que a proposta não encontrará o apoio necessário para avançar.

Questionado diretamente sobre a probabilidade de a CPI dos Consignados prosperar, Dilmar Dal Bosco foi categórico: "Eu acho que não."

**Oposição Impulsiona Pedido e Argumenta Necessidade de Investigação Própria**

Apesar da avaliação pessimista do líder do governo, o pedido de criação da CPI dos Consignados começou a reunir assinaturas na última semana. A iniciativa é liderada por um grupo de deputados da oposição, incluindo Lúdio Cabral (PT), Valdir Barranco (PT), Wilson Santos (PSD) e Janaina Riva (MDB).

O objetivo principal da proposta é investigar a atuação do Governo de Mato Grosso na ampliação da oferta de empréstimos consignados, com foco especial nas modalidades de cartão de crédito e cartão-benefício. Os opositores buscam apurar também eventuais responsabilidades do Poder Executivo na regulamentação dos contratos que regem essas operações financeiras.

A oposição sustenta que a recente investigação envolvendo o Banco Master, amplamente divulgada pela mídia nacional, reforça a necessidade de uma apuração independente por parte da Assembleia Legislativa. Eles argumentam que a Casa possui o dever de fiscalizar os atos do governo e garantir a proteção dos servidores públicos, especialmente em um contexto onde surgem indícios de irregularidades em operações de crédito. Acredita-se que a CPI poderia trazer à luz detalhes e responsabilidades que as investigações já em curso poderiam não abranger em sua totalidade.

Informações: Gazeta Digital

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