Delegado afirma que advogada ajudava tesoureiro do Comando Vermelho a ocultar patrimônio milionário

Segundo delegado, advogada atuava na regularização de imóveis de luxo registrados em nome de terceiros; operação bloqueou milhões em bens
O delegado Victor Hugo, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), afirmou nesta quinta-feira (30) que a advogada e influenciadora Dayane Karol Moreira, presa durante a Operação Replay, atuava na ocultação e na dissimulação do patrimônio ligado a uma facção criminosa em Mato Grosso.
Segundo o delegado, Dayane era responsável por procedimentos relacionados a imóveis de alto padrão localizados em Itapema (SC), que, conforme a investigação, teriam sido adquiridos em nome de pessoas usadas como "laranjas" para esconder os verdadeiros proprietários.
“A advogada presa na cidade de Cuiabá atuou como procuradora de imóveis em nome de pessoas interpostas na cidade de Itapema. Ela exerceu a atividade para ocultação e dissimulação do patrimônio pertencente a esse faccionado, a esse tesoureiro da organização criminosa”, afirmou Victor Hugo.
A investigação aponta que a atuação da advogada beneficiava diretamente Paulo Witter Farias, conhecido como "WT", apontado pela Polícia Civil como tesoureiro do Comando Vermelho em Mato Grosso e um dos principais alvos da operação.
De acordo com o delegado, Dayane e outros investigados mantinham um padrão de vida elevado, que seria incompatível com as atividades declaradas e estaria relacionado aos recursos obtidos dentro da estrutura criminosa.
Nas redes sociais, a influenciadora compartilhava registros de viagens e uma rotina de luxo. Segundo Victor Hugo, ainda não é possível apontar quanto cada integrante recebia pela atuação dentro da organização, já que as investigações continuam com a análise de dados apreendidos.
“Individualmente não conseguimos estipular o salário que recebiam, até porque as investigações ainda continuam, temos dados telemáticos a serem analisados. Mas o balanço total do bloqueio foi em torno de R$ 18 milhões desses alvos que foram presos hoje”, afirmou.
Além de Dayane, também foram presos durante a operação o assessor parlamentar da Câmara de Cuiabá Brunno Passos da Silva, o jogador de futebol amador Alex Júnior e Emerson Ferreira Lima, apontado como braço direito de WT.
Segundo o delegado, Alex mantinha ligação com WT há anos e integrava o time de futebol amador Amigos WT, ligado ao investigado. A Polícia Civil afirma que ele também teria participado de ações relacionadas à lavagem de dinheiro.
“O jogador de futebol do time desse faccionado já foi preso diversas vezes e atuava na lavagem de dinheiro, na prática de atos em favor da organização criminosa”, declarou Victor Hugo.
Em relação a Emerson Ferreira, o delegado afirmou que ele exercia uma função estratégica dentro da estrutura criminosa e atuava diretamente ao lado de WT.
“Esse homem preso no bairro Alvorada era o braço direito desse tesoureiro da facção criminosa. É a pessoa a quem ele se reportava diretamente para a prática dos ilícitos da lavagem de dinheiro em favor da organização criminosa”, disse.
A Operação Replay foi deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (30) para investigar crimes de organização criminosa e lavagem de capitais. A ação cumpriu 10 mandados de prisão preventiva, além de buscas, quebra de sigilos e medidas patrimoniais contra 14 investigados em Cuiabá, Várzea Grande, Balneário Camboriú (SC), Itapema (SC) e Rio de Janeiro (RJ).
A investigação é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra e foi baseada na análise de dados telemáticos. Conforme a Polícia Civil, os relatórios apontaram a continuidade da atuação da organização criminosa, com divisão de tarefas, operadores financeiros, uso de contas de terceiros e aquisição de bens em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível.
Entre os bens atingidos pelas medidas judiciais estão imóveis de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, terrenos e veículos. A Justiça também autorizou o bloqueio financeiro de até R$ 15,324 milhões, valor relacionado à contabilidade encontrada durante a investigação.
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