Estudante de 13 anos com deficiência visual sonha com a Presidência e propõe ministério exclusivo para inclusão

Nov 02, 2026 - 10:07
Atualizado: 2 dias ago
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Estudante de 13 anos com deficiência visual sonha com a Presidência e propõe ministério exclusivo para inclusão

Aos 13 anos de idade, o estudante brasiliense Daniel Vidal Moura tem como meta para o futuro alcançar o cargo mais alto do país: a Presidência da República. No último dia 27 de outubro, ele realizou o desejo de conhecer Luiz Inácio Lula da Silva durante uma homenagem ao aniversário de 81 anos do presidente, em frente às grades do Palácio da Alvorada.

O encontro durou cerca de 50 segundos. Acompanhado pelo pai, o bancário Fernando Moura, de 46 anos, o adolescente faltou à aula de futebol e vestiu uma camisa da seleção brasileira com o número 13 para estar no local. No breve momento, Daniel agradeceu pelas políticas públicas e demonstrou sua admiração, mas não teve tempo de falar sobre seus planos. "Queria dizer a ele que quero ser presidente também", relatou.

Daniel possui menos de 5% da visão em ambos os olhos devido à Amaurose Congênita de Leber, doença genética detectada aos dois meses de vida. Em entrevista à Agência Brasil, ele apontou que, caso tivesse mais tempo com o presidente, sugeriria a criação de um ministério exclusivo voltado aos direitos das pessoas com deficiência. Atualmente, o governo federal mantém a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência sob o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Morador da Asa Sul, o jovem ressalta que a falta de acessibilidade urbana ainda limita a circulação de pessoas com deficiência. "Em muitos lugares, o piso é bastante irregular. Para pessoas com cadeira de rodas, não dá para a cadeira passar. Prédios que não têm uma rampa ou elevador. Pouca acessibilidade em transporte público. Eu acho que o Brasil tem que melhorar muito", afirmou o jovem, defendendo investimentos em infraestrutura e mobilidade.

No ambiente escolar, Daniel utiliza um teclado eletrônico em braille conectado ao computador para ler e realizar tarefas, equipamento que ele defende que o poder público distribua amplamente: "Eu acho que o governo deveria ajudar todos a terem um assim".

Segundo sua mãe, a servidora pública Raquel Vidal, de 45 anos, o estímulo à leitura ocorre desde o nascimento, o que despertou no filho a atenção por história, geopolítica, economia e questões sociais. O adolescente acompanha temas nacionais e citou a saída do país do Mapa da Fome e a redução do desemprego aos menores patamares desde 2015 como dados marcantes dos últimos anos.

O debate contra discriminações também faz parte do cotidiano da família. Daniel combate abertamente o capacitismo, enquanto o pai, que é negro, traz o debate sobre o racismo a partir de suas próprias vivências. "Nós falamos para ele que ninguém pode ser capacitista ou racista ou homofóbico. Não pode ser preconceituoso com ninguém", resumiu Fernando.

Além de suas próprias aspirações, Daniel defende que a juventude se mobilize e opine sobre os rumos do país, sem esperar pela idade facultativa de voto. "A gente só pode votar depois dos 16 anos, mas nós, jovens, temos que participar mais. O Brasil precisa dos jovens", pontuou o adolescente, que também cobra a evolução econômica nacional para que o Brasil deixe a categoria de emergente e se torne um país desenvolvido.

Para a família, o mais importante é o desenvolvimento do jovem com autonomia e bem-estar. "Eu desejo inicialmente, e acima de tudo, que ele seja feliz. Que ele tenha acesso a oportunidades", destacou a mãe.

Com Informações: Agência Brasil

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