Investimentos bilionários transformam etanol de milho em novo motor do agronegócio brasileiro

Jul 24, 2026 - 06:31
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Investimentos bilionários transformam etanol de milho em novo motor do agronegócio brasileiro
Investimentos bilionários transformam etanol de milho em novo motor do agronegócio brasileiro

Produção deve chegar a 10 bilhões de litros na safra 2025/26 e atrai empresas dos Estados Unidos, Emirados Árabes, Paraguai e outros países para o Brasil

O mercado brasileiro de etanol de milho vive uma das maiores expansões de sua história e consolidou o país como um dos principais destinos mundiais para investimentos em bioenergia. Impulsionado pela safra recorde de milho, pelo aumento da demanda por combustíveis renováveis e por políticas de descarbonização, o setor passou a receber bilhões de reais de grupos internacionais e ganhou papel estratégico no agronegócio nacional.

A projeção para a safra 2025/26 é de que a produção brasileira se aproxime de 10 bilhões de litros de etanol de milho, quase quatro vezes superior aos cerca de 2,65 bilhões de litros produzidos no início da década. O crescimento também foi impulsionado pelo aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passou de 27% para 30%, ampliando o consumo do biocombustível e estimulando novos investimentos.

Além da produção de etanol, as modernas biorrefinarias brasileiras aproveitam praticamente toda a matéria-prima. As plantas industriais também produzem DDG e DDGS para alimentação animal, óleo de milho, energia elétrica, biometano e dióxido de carbono biogênico destinado ao setor industrial, diversificando receitas e aumentando a rentabilidade das operações.

O ambiente de negócios também contribui para a expansão do segmento. Dependendo da região, os empreendimentos podem acessar financiamentos do BNDES, recursos do Fundo Clima, incentivos fiscais estaduais, benefícios administrados pela Sudam e Sudene, além do programa RenovaBio, que permite a comercialização dos Créditos de Descarbonização (CBIOs), gerando receita adicional às usinas.

Entre os principais investidores está a paraguaia Inpasa, que já anunciou mais de R$ 9,7 bilhões em investimentos no Brasil. A empresa possui projetos em Rio Verde (GO), Luís Eduardo Magalhães (BA), Balsas (MA), Rondonópolis (MT) e Nova Mutum (MT), além de unidades já em operação em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Maranhão.

O capital norte-americano também ampliou participação no setor. O Summit Agricultural Group participou da criação da FS Fueling Sustainability, pioneira na produção industrial de etanol exclusivamente a partir do milho no país. A empresa opera três unidades industriais em Mato Grosso, com capacidade próxima de 2,6 bilhões de litros por ano.

Outra empresa que reforçou sua presença foi a Cargill, que incorporou a SJC Bioenergia e anunciou novos investimentos em Goiás, apostando na integração entre usinas de etanol de milho e de cana-de-açúcar para elevar a eficiência e reduzir custos operacionais.

Os Emirados Árabes Unidos também entraram na disputa por meio da Mubadala Capital, controladora da Atvos, que anunciou sua primeira planta integrada de etanol de milho em Nova Alvorada do Sul (MS). A unidade terá capacidade para processar 642 mil toneladas de milho por ano e produzir 273 milhões de litros de etanol, além de DDG e óleo de milho.

Enquanto isso, a britânica BP estuda novos projetos integrados às operações sucroenergéticas e a chinesa COFCO International acompanha a evolução do mercado brasileiro. Embora ainda não tenha anunciado investimentos no segmento, especialistas avaliam que sua estrutura logística e atuação na comercialização de grãos podem abrir caminho para futuros projetos voltados à produção de biocombustíveis, captura de carbono e combustíveis sustentáveis para a aviação.

Além do abastecimento interno, o etanol de milho brasileiro também ganha espaço no mercado internacional como alternativa para combustíveis marítimos e para a produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação). A baixa emissão de carbono do biocombustível fortalece a competitividade do Brasil e amplia as perspectivas de exportação em um cenário global de transição para fontes de energia mais limpas.

Com investimentos bilionários já anunciados e novos grupos avaliando oportunidades, o etanol de milho deixou de ser uma atividade complementar para ocupar posição estratégica na economia brasileira, consolidando o país como um dos principais polos mundiais de bioenergia.

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