Irã fecha totalmente o Estreito de Ormuz após ataques dos EUA e tensiona mercado de petróleo
Autoridade marítima iraniana anuncia bloqueio completo da principal rota de petróleo do mundo em resposta a bombardeios americanos; cessar-fogo de abril é considerado rompido.
O Irã anunciou nesta quinta-feira (11) o fechamento completo do Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás natural. A medida extrema é uma resposta direta aos recentes ataques aéreos realizados pelas forças dos Estados Unidos contra alvos iranianos.
Bloqueio total da passagem estratégica
Em comunicado oficial, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, órgão responsável pela administração da passagem, informou que o Estreito de Ormuz permanece "fechado até nova ordem" devido às "tensões provocadas pela agressão das forças americanas na região".
Embora o Irã mantenha o controle da passagem desde o início do conflito, desencadeado pelos ataques norte-americanos e israelenses contra o regime de Teerã em 28 de fevereiro, os militares iranianos vinham permitindo a passagem diária de aproximadamente 20 navios. Com o novo anúncio, essa permissão foi totalmente suspensa.
Cessar-fogo considerado rompido
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irã foi categórico ao declarar que o cessar-fogo estabelecido entre Teerã e Washington em 8 de abril perdeu totalmente seu sentido após os mais recentes bombardeios americanos.
A diplomacia iraniana classificou os ataques como "ilegais e criminosos", destacando que representam uma "violação flagrante da Carta das Nações Unidas". Segundo os diplomatas, as ações militares dos Estados Unidos tornaram o acordo de cessar-fogo "praticamente sem efeito".
Alvos atingidos pelos bombardeios
De acordo com informações da Guarda Revolucionária do Irã, os últimos ataques aéreos dos Estados Unidos atingiram principalmente a região sul do país, área estratégica para o programa nuclear e militar iraniano.
Além das províncias do sul, localidades próximas à capital Teerã também foram bombardeadas, incluindo as cidades de Karaj, Nazarabad e Pishva, demonstrando a ampliação do alcance das operações militares americanas.
Impacto no mercado global de energia
O Estreito de Ormuz representa um dos pontos mais críticos para o abastecimento energético mundial. Por essa passagem, com apenas 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, circula cerca de 20% do petróleo consumido globalmente diariamente.
O fechamento total da passagem tende a provocar volatilidade extrema nos preços do petróleo e gás natural nos mercados internacionais, com reflexos diretos na economia global. Analistas temem que a medida iraniana possa desencadear uma crise energética de proporções significativas.
Reações internacionais
A comunidade internacional acompanha com preocupação os desdobramentos da crise. O bloqueio do Estreito de Ormuz é considerado uma linha vermelha por diversas potências mundiais, especialmente pelos países dependentes das importações de petróleo do Golfo Pérsico.
Especialistas em relações internacionais alertam que a escalada de tensões na região pode levar a um conflito de maiores proporções, envolvendo não apenas Irã e Estados Unidos, mas também outros atores regionais e globais.
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