“Não aguentava mais a pressão”: Antônio Lemes renuncia à Câmara de Cuiabá

Suplente afirma que divergências sobre a eleição da Mesa Diretora motivaram cobranças para antecipar a saída do cargo
O vereador em exercício Antônio Lemes de Paula (PSD) anunciou nesta quinta-feira (15) que vai deixar a Câmara Municipal de Cuiabá após alegar ter sofrido pressão política do titular da cadeira, Jeferson Siqueira (PSD). Segundo ele, o desgaste começou durante a disputa pela Presidência da Mesa Diretora, quando manifestou preferência pelo grupo da presidente Paula Calil (PL), contrariando a orientação de Jeferson para apoiar Ilde Taques (Podemos).
A carta de renúncia foi lida em plenário e estabelece que a saída terá efeito a partir da próxima segunda-feira (19). Lemes ocupava temporariamente a vaga de Jeferson, que se licenciou do mandato, e afirmou que o acordo inicial previa sua permanência até 17 de novembro.
Ao explicar a decisão, o parlamentar relatou que passou a receber cobranças frequentes para mudar de posicionamento político, participar de reuniões com o grupo adversário e deixar a cadeira antes do prazo previsto.
“Eu não aguentava mais a pressão na minha casa, no telefone, para me passar para esse lado, participar de almoço, de jantar”, declarou.
Lemes afirmou que pretendia continuar apoiando Paula Calil porque havia construído compromissos políticos com ela e com o prefeito Abilio Brunini (PL) para atender demandas de três bairros onde atua como liderança comunitária.
“O desejo meu era estar do lado da Paula Calil, que era uma candidata com quem a gente veio construindo algumas pautas, como já disse, com o prefeito, e essas pautas aconteceram. Eu não poderia deixar ela naquele momento e ir com o Ilde Taques”, explicou.
Segundo o suplente, Jeferson não aceitou sua escolha porque já havia estabelecido compromissos com Ilde para a composição da futura Mesa Diretora.
“Eu fui forçado através do argumento do vereador Jeferson, porque ele disse que tinha construído com o Ilde algumas situações na Câmara Municipal e no futuro, e que eu tinha que votar para o candidato dele”, afirmou.
Apesar da divergência, Lemes acabou votando em Ilde Taques, eleito presidente da Câmara para o biênio 2027/2028 com os 27 votos dos parlamentares. O suplente disse que, mesmo após acompanhar a orientação do titular na votação, continuou sendo cobrado a deixar o cargo.
“Ele não tem direito nenhum de fazer eu renunciar, mas, por bom senso, eu vou abrir o espaço novamente para ele”, declarou.
O vereador também esclareceu que não sofreu ameaças diretas, mas classificou as cobranças como pressão política.
“Não, não chegou a ser ameaça. São pressões de diálogo, pressão política”, ressaltou.
Lemes lamentou deixar o Legislativo antes do prazo combinado e afirmou que ainda pretendia atender outras demandas das comunidades que representa.
“É triste a situação porque eu ajudei a elegê-lo. Fizemos essa conversa para ele vir para cá, assumir a Casa e fazer um trabalho político. Infelizmente, nós não ganhamos a eleição, mas agora a gente tem que recuar”, disse.
Apesar do desgaste, o parlamentar afirmou que pretende preservar a relação com Jeferson e manter o diálogo com os demais vereadores.
“Não quero quebrar a ponte com o vereador Jeferson. Quero continuar conversando com ele, com todo mundo. Por isso achei melhor renunciar e deixar ele retornar, da maneira que a parte jurídica da Casa aceitar”, concluiu.
No documento encaminhado à presidente Paula Calil, Lemes justificou formalmente a saída por motivos particulares. O retorno de Jeferson à cadeira dependerá dos procedimentos legais e regimentais da Câmara.
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