UE avalia fechamento de mercado a produtos chineses em nova estratégia comercial
*Da Redação*
A União Europeia prepara novos instrumentos comerciais que poderiam fechar completamente o acesso ao seu mercado único. A medida integra estratégia para reduzir o déficit comercial com a China. Líderes da UE reunidos em Bruxelas solicitaram à Comissão Europeia proposta até fim do ano.
Medida extrema contra práticas desleais
Os novos poderes seriam usados em casos extremos, quando um rival prejudicasse a economia europeia. O presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, afirmou: “Se a China adotar determinadas práticas comerciais desleais, poderemos restringir a entrada de produtos chineses no mercado europeu, incluindo um fechamento completo do nosso mercado”. Nauseda caracterizou a medida como “extrema” e “drástico”.
Ampliação de proteções comerciais
A Comissão Europeia começou a avaliar dados de comércio para replicar em outros setores um limite já imposto às importações de veículos híbridos. A medida poderia atingir segmentos nos quais remessas da China avançam rapidamente. A comissão analisa setores como produtos químicos e máquinas como potenciais candidatos a proteção.
Preocupações da indústria manufatureira
A mudança mais agressiva de postura reflete preocupação crescente, especialmente na indústria manufatureira alemã. Autoridades europeias observam velocidade com que concorrentes chineses ampliam participação em mercados globais. Tentam calibrar resposta para impedir inundação de produtos de baixo custo sem desencadear guerra comercial.
Resposta da China
A China afirmou que retaliará caso a UE introduza novas ferramentas comerciais ou restrições discriminatórias contra empresas ou produtos chineses. A declaração vai além do limite para veículos híbridos acordado em negociações em Pequim na semana passada.
Posição alemã muda de rumo
A Alemanha tradicionalmente adota postura mais cautelosa sobre medidas protecionistas contra a China devido aos fortes laços comerciais. Chanceler alemão Friedrich Merz foi convencido de que mudança radical é necessária. Entidades empresariais pressionaram governo por medidas de proteção.
“Não ficaremos mais parados enquanto outros países prejudicam nossa economia por meio de subsídios elevados, moedas artificialmente desvalorizadas, excesso de capacidade produtiva e práticas agressivas de preços”, afirmou Merz ao Parlamento alemão. “Quem buscar um conflito comercial conosco descobrirá que agora estamos reagindo, com respostas adequadas”, complementou.
Efeito dissuasório esperado
O instrumento de bloqueio ao mercado único europeu é visto como medida de segunda resposta. Sua existência teria efeito dissuasório, com objetivo de impedir que rivais adotem políticas consideradas desleais. Buscaria evitar enfraquecimento de empresas europeias ou guerra comercial por retaliações.
Propostas para dezembro
O braço executivo da UE deve apresentar novas propostas antes da cúpula de líderes marcada para meados de dezembro. O pacote incluirá mecanismos para incentivar empresas europeias a diversificar fornecedores. Também deve conter medidas voltadas a combater excesso de capacidade produtiva da China.
Déficit comercial em recorde
O déficit comercial da UE com a China atingiu US$ 34,8 bilhões em setembro, segundo a Administração Geral das Alfândegas da China. Exportações chinesas avançaram 36% em relação ao mesmo período do ano anterior. O superávit comercial anual chinês caminha para superar recorde de US$ 1,2 trilhão registrado em 2025.
Modelo de cotas em discussão
Novos limites às importações da UE provavelmente se basearão no entendimento alcançado sobre veículos híbridos, restringidos a 350 mil unidades por ano. A ideia é encontrar cota suficientemente baixa para proteger empresas europeias. Deve ser alta o bastante para evitar retaliações de Pequim.
Pressão por medidas rápidas
Alguns países, incluindo a Alemanha, pressionam a UE para impor rapidamente cotas adicionais a outros tipos de importação. Objetivo é reduzir o enorme déficit comercial do bloco com a China. Comissão Europeia ainda não definiu cronograma para novas avaliações de salvaguarda.
Benefícios bilaterais negociados
O acordo com a China prevê redução de tarifas chinesas sobre algumas exportações europeias, como autopeças, azeite de oliva e sorvetes. A UE busca ampliar acesso ao mercado chinês e simplificar procedimentos de exportação para minerais críticos e ímãs permanentes.
Próximos passos em negociação
Maros Sefcovic, chefe da área comercial da União Europeia, deve revisar avanços das negociações no início do próximo ano. Também discutirá próximos passos com interlocutores chineses nesse encontro.
Fonte: InfoMoney
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