Populações de animais silvestres caem 73% em cinco décadas

Out 09, 2026 - 08:43
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Populações de animais silvestres caem 73% em cinco décadas

Da Redação

Monitoramento global revela queda de 73% nas populações de animais silvestres nos últimos 52 anos. O Relatório Planeta Vivo 2026, desenvolvido pela WWF com a Sociedade Zoológica de Londres, analisou 35.803 séries de dados de 5.790 espécies entre 1970 e 2022.

Ambientes mais afetados

Água doce registra a maior degradação, com redução de 85% nas populações. Ambientes terrestres apresentam queda de 69%, enquanto ecossistemas marinhos caem 56%. A análise incorpora mais dados e período maior, evidenciando a dimensão da perda.

Principais fatores de ameaça

Perda e degradação de habitats lideram as ameaças às espécies monitoradas. Exploração excessiva, mudanças climáticas, poluição, espécies invasoras e doenças complementam o quadro crítico. Essas pressões conectam-se aos sistemas de alimentação, energia e finanças.

Situação brasileira

Brasil enfrenta redução significativa de habitats naturais necessários para reprodução e sobrevivência. Mudanças climáticas provocam queimadas, secas extremas e altas temperaturas prejudiciais à fauna nativa.

Dados da plataforma Salve do Ministério do Meio Ambiente indicam cenário preocupante. Mais de 80% das espécies de vertebrados brasileiros ameaçadas sofrem impactos do desmatamento. Espécies marinhas também enfrentam declínio populacional.

Degradação ambiental associada ao aumento das temperaturas oceânicas reduz populações aquáticas. Quando florestas desaparecem ou degradam-se, as espécies perdem alimento, abrigo e condições reprodutivas essenciais.

“No Brasil, que abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, proteger e recuperar os habitats naturais é fundamental para interromper o declínio das populações de animais silvestres”, afirma Helga Correa, especialista em Conservação do WWF-Brasil.

Exemplos de recuperação

Metade das populações analisadas mostra-se estável ou em crescimento, apesar do declínio global. Tartarugas-verdes, atuns-azuis, tigres e elefantes sul-africanos demonstram recuperação notável.

No Brasil, colaboração entre governo, terceiro setor e produtores locais salva espécies ameaçadas. Região de Iguaçu na Mata Atlântica registrou crescimento impressionante: onças saltaram de 11 para 42 entre 2019 e 2025, representando aumento de 280%.

Mico leão dourado experimentou crescimento populacional via esforços conservacionistas, saindo de criticamente ameaçado para ameaçado. Ações isoladas, porém, não suficiente para reverter as perdas registradas globalmente.

Caminhos para reversão

Exemplos de recuperação comprovam que declínio não é inevitável. Relatório enfatiza necessidade de ações contínuas em escala adequada para resultados duradouros.

“O Brasil tem condições de reverter perdas, mas isso exige ações de conservação contínuas e em escala, com proteção e restauração dos ecossistemas e enfrentamento das causas da perda de biodiversidade. Esses esforços também precisam reconhecer e fortalecer o papel dos povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e comunidades locais, que dependem diretamente da natureza e têm uma contribuição fundamental para sua conservação. Recuperar a biodiversidade significa gerar resultados concretos não apenas para as espécies e os ecossistemas, mas também para as pessoas que vivem nesses territórios e dependem deles”, complementa Helga Correa.

Fonte: CNN Brasil


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