“Usando a Justiça para fazer injustiça”, diz ex Prefeito após operação que apura contratos de R$ 5,78 milhões

Ex-prefeito é investigado por suspeitas de fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa em contratos da Prefeitura
O ex-prefeito de Pontes e Lacerda e candidato a deputado estadual, Alcino Barcelos (PL), afirmou nesta sexta-feira (25) que a operação do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), tem motivação política. Ele foi um dos alvos da ação que investiga possíveis irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura entre 2017 e 2024.
Segundo informações da investigação, cinco contratos firmados entre 2022 e 2023 somam aproximadamente R$ 4,7 milhões. Com atualização monetária, o valor chega a cerca de R$ 5,78 milhões. O caso envolve suspeitas de fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Alcino questionou o momento escolhido para o cumprimento dos mandados, afirmando que a operação ocorreu a dez dias da eleição.
“Hoje cedo a polícia foi na minha casa, faltando dez dias pra eleição. E a gente em terceiro, quarto lugar nas pesquisas. Por que que não foi 90 dias antes? Quando dá tempo de se defender? É isso que me deixa triste com esse país nosso. Usando a Justiça para fazer injustiça”, declarou.
O candidato também explicou a origem de uma arma encontrada durante as buscas. Segundo ele, trata-se de uma garrucha calibre 28, sem munição, que teria sido dada por seu pai e mantida como relíquia.
“Lá dentro de casa tinha uma arma que meu velho pai me deu, uma garrucha 28, sem munição. Toda limpadinha, bonitinha, que eu guardo de relíquia. Eu não tenho arma em casa”, afirmou.
Sobre o dinheiro localizado na residência, Alcino disse que a quantia estava em seu quarto e não estava escondida.
“O dinheiro estava dentro de casa, estava no meu quarto, não estava escondido, não estava nada. E se fosse um dinheiro sujo, não estava na minha casa”, declarou.
Alcino também afirmou que nunca foi ouvido em um processo relacionado às suspeitas investigadas.
“Eu nunca fui ouvido num processo. Eu não tenho processo. Faz um negócio desse na calada do dia, nem da noite”, disse.
Ao comentar a Concretubos Pré-Moldados Ltda., empresa citada na investigação, o ex-prefeito defendeu a empresa e afirmou que ela participava de pregões.
“Eu tenho pena mesmo, sabe de quem? Da Concretubos. Uma empresa pequena que sempre participou de pregão. [...] Foi pregão, pregão, todo mundo podia participar”, afirmou.
As investigações apontam ainda possíveis vínculos familiares, empresariais e funcionais entre agentes públicos e particulares envolvidos nas contratações, além de movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Alcino comparou a operação às investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e voltou a classificar a ação como política.
“Olha o que estão fazendo com o presidente Bolsonaro, agora fazendo com a gente. Que, graças a Deus, não tem nada preso com ninguém. Isso é política”, declarou.
Ao final do vídeo, o candidato afirmou que pretende continuar a campanha e voltou a criticar a atuação da Justiça.
“Gente, tamo em pé, tamo firme. [...] Se Deus quiser, vamos ganhar e ajudar a mudar esse Brasil. Sabe, essa grande Justiça, que a Justiça usa para fazer injustiça”, concluiu.
Veja vídeo
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