Copom reduz juros, mas incertezas políticas e climáticas limitam novos cortes

*Da Redação*
O Comitê de Política Monetária deve reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. A B3 aponta probabilidade de 94,25% para esse movimento nas reuniões de terça e quarta-feira.
As eleições, o El Niño e conflitos no Oriente Médio criam instabilidade no cenário econômico. Estes fatores podem impedir que o Banco Central mantenha o ciclo de cortes nos próximos meses.
Desaceleração econômica sustenta o corte
O PIB do segundo trimestre apresentou composição fraca, com queda de 0,4% no consumo das famílias. A inflação oficial desacelerou em agosto, com melhoras no núcleo e em preços industriais.
Claudio Ferraz, economista da Galapagos Capital, confirma o corte como cenário-base. Contudo, a deterioração das expectativas para 2027 poderia justificar uma pausa para reavaliação posterior.
A 4Intelligence avalia que existe espaço para reduzir juros, mas depende da consolidação da desinflação e do comportamento das expectativas.
Mercado se divide entre pausa e continuidade de cortes
Sérgio Vale, da MB Associados, projeta a taxa Selic em 13,75% e pausa após o corte desta semana. O Banco Central aguardaria as definições eleitorais e o desfecho fiscal.
Felipe Salles, do C6 Bank, também prevê estabilização na última reunião do ano após o corte de setembro. Augusto Parente, da AW Capital, aposta em pausa estratégica.
O Itaú sinalizou dois caminhos: pausa ou novos cortes de 0,25 ponto percentual. Jeferson Bittencourt, do ASA, vê margem para manter reduções até o final de 2025.
Arnaldo Lima, da Polo Capital, projeta mais um corte em novembro, levando a Selic a 13,5% ao fim do ano. Para 2027, prevê taxa terminal de 11,50%.
Riscos domésticos e internacionais ampliam cautela
O impasse fiscal mantém a curva de juros pressionada. Os candidatos evitam assumir compromissos com cortes de despesas obrigatórias, segundo Bittencourt.
A indefinição eleitoral gera dúvidas sobre políticas que impactarão a economia. Lima avalia que mudanças virão, independente do resultado das urnas.
O El Niño elevou probabilidade para 97% de ocorrer como evento forte. Lima e Ferraz projetam IPCA de 5,2% ao final do ano, com pressão em alimentos.
No exterior, as tensões no Oriente Médio elevaram o preço do petróleo para US$ 100 o barril. Há também reprecificação das curvas de juros nos países centrais.
Copom mantém comunicação cautelosa sem promessas futuras
Os economistas projetam comunicação cautelosa, sem forward guidance explícito. O Itaú espera descrição de balanço de riscos assimétrico para cima.
Felipe Salles aponta que a justificativa do corte se apoia na projeção de inflação. Contudo, expectativas acima da meta e mercado aquecido exigem cautela.
O Comitê deve manter porta aberta para novos ajustes, reconhecendo a possibilidade de alterações conforme necessário. A comunicação reforçará dependência de dados futuros.
Fonte: InfoMoney
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