“Descontos de cartão consignado cresceram quase 20 vezes” na gestão Emanuel

Valores retirados da folha de pagamento dos servidores saltaram de R$ 13 mil para mais de R$ 260 mil mensais entre 2023 e 2025
Contrato firmado em 2020 atravessou cinco anos e teve o cartão de crédito consignado incluído entre as operações oferecidas aos servidores
O ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), manteve por cinco anos o vínculo da Prefeitura com o Banco Master, permitindo que servidores municipais tivessem acesso a empréstimos, financiamentos e cartão de crédito consignado com desconto direto em folha.
O contrato original foi firmado em 8 de setembro de 2020, quando a instituição ainda utilizava o nome de Banco Máxima. A relação foi prorrogada por meio de sucessivos aditivos durante os anos seguintes.
Em 2022, o prazo máximo para amortização de empréstimos e refinanciamentos passou de 96 para 120 meses. No ano seguinte, o cartão de crédito consignado foi incluído expressamente no acordo.
Entre outubro de 2023 e julho de 2025, foram registrados aproximadamente R$ 4,18 milhões em descontos na folha dos servidores relacionados ao cartão de crédito do Banco Master. Os lançamentos passaram de cerca de R$ 13,2 mil em outubro de 2023 para R$ 269,8 mil em dezembro de 2024.
O valor representa a soma dos lançamentos referentes à rubrica do cartão de crédito e não corresponde ao total de crédito concedido pelo banco aos servidores.
O último aditivo foi assinado em julho de 2024 e prorrogou o credenciamento até 8 de setembro de 2025. A gestão do atual prefeito Abilio Brunini (PL) não renovou o vínculo após o encerramento do prazo.
Apesar de o contrato ter sido firmado durante a gestão Emanuel, os documentos não indicam que o ex-prefeito tenha assinado pessoalmente o instrumento. Ele aparece como prefeito e representante do Município, enquanto a assinatura foi feita pela então secretária de Gestão, Ozenira Félix Soares de Souza. Os aditivos posteriores foram assinados por secretários da pasta.
O vínculo terminou pouco mais de dois meses antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025.
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