XP reduz projeção de PIB para 2026 a 1,7%

*Da Redação*
A XP Investimentos revisou sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro em 2026. A instituição reduziu a estimativa de 2% para 1,7%, refletindo o arrefecimento de componentes econômicos sensíveis aos juros. A projeção para 2027 permanece em 1%, embora com risco elevado de redução adicional.
Segundo Rodolfo Margato, economista da XP, a desaceleração chegou antecipadamente. A instituição esperava sinais de arrefecimento apenas no quarto trimestre, mas eles já eram perceptíveis no final do segundo trimestre, conforme relatório divulgado nesta sexta-feira.
Resultado do segundo trimestre e consumo das famílias
O PIB do segundo trimestre cresceu 0,5% em relação ao período anterior, enquanto o consumo das famílias registrou queda de 0,4%. Esse resultado surpreendeu negativamente, apesar da expansão da renda real e das medidas de estímulo governamental implementadas.
Caio Megale, economista-chefe da XP, destaca que a economia brasileira está perdendo força mais cedo que o previsto. O endividamento elevado de empresas e famílias em ambiente de juros altos reduz significativamente a demanda doméstica.
Perspectivas para o terceiro trimestre
Os economistas Rodolfo Margato e Alexandre Maluf apontam que o resultado do segundo trimestre deixa carrego estatístico menos favorável. A projeção para o terceiro trimestre projeta estabilidade em relação ao trimestre anterior, alterando a previsão anterior de aumento de 0,3%.
O mercado de trabalho apresenta moderação na criação de vagas, reduzindo a contribuição para o crescimento econômico. O risco persiste no mercado de crédito, com aumento da inadimplência e queda na concessão de empréstimos.
Câmbio, inflação e taxa de juros
A XP mantém a projeção do dólar em R$ 5,00 para o final de 2026 e em R$ 5,30 para 2027. A inflação medida pelo IPCA foi reduzida de 5,1% para 5,0% em 2026, refletindo surpresas recentes.
A projeção da taxa Selic está em 13,25% para 2026 e 11,50% para 2027. Atualmente, a Selic encontra-se em 14%. Com os sinais de desaceleração, aumentam as expectativas de que o Banco Central mantenha o ciclo de corte de juros.
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária está marcada para 21 e 22 de setembro. A XP alerta que riscos ao cenário inflacionário persistem, com destaque para a política monetária do Federal Reserve e pressão nos preços do petróleo.
Os efeitos do El Niño podem encarecer alimentos, enquanto incertezas sobre a política fiscal dos próximos anos também representam desafios. A instituição acredita que o Banco Central focará em horizontes mais longos apesar das pressões inflacionárias de curto prazo.
Fonte: InfoMoney
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