Criação de empregos nos EUA ultrapassa expectativas e intensifica pressão sobre Selic
*Da Redação*
Os Estados Unidos criaram 162 mil vagas de emprego não agrícolas em agosto, superando significativamente as previsões do mercado que apontavam entre 50 mil e 56 mil postos. A força do resultado elevou para 58% a probabilidade de o Federal Reserve aumentar a taxa de juros em setembro, conforme a ferramenta FedWatch.
O setor privado respondeu por 127 mil das novas vagas, enquanto lazer e hospitalidade lideraram com 62 mil postos. A taxa de desemprego se manteve em 4,1%, conforme esperado pelos analistas. O mercado de trabalho resiliente reduz temores de recessão iminente.
Revisões positivas reforçam solidez do emprego
Julho foi corrigido de um fechamento de 23 mil vagas para criação de 21 mil postos. Junho subiu de 20 mil para 31 mil vagas, somando 55 mil postos adicionais no bimestre. Marcelo Bassani, economista da Boa Brasil Capital, afirma que os dados “enterram a narrativa do verão sem empregos” no hemisfério norte.
Inflação volta ao centro das atenções do Fed
A robustez do payroll sustenta o viés contracionista da autoridade monetária norte-americana. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, destaca que a solidez do emprego reforça o compromisso de Kevin Warsh com o combate à inflação ainda acima da meta de 2%.
André Valério, economista sênior do Inter, ressalta que o mandato de inflação prevalece nas decisões do Fed. Os dados do CPI (índice de preços ao consumidor), divulgados na sexta-feira, serão fundamentais para a decisão sobre juros em setembro, afirma o especialista.
Warsh sinalizou recentemente em Jackson Hole que favorecerá alta de juros caso a inflação venha muito acima do esperado. Vinicius Flores, gestor da Stratton Capital, projeta aumento de 25 pontos-base na taxa americana na próxima reunião.
Ganhos salariais desaceleram apesar da geração de vagas
Os salários avançaram apenas 0,3% no mês e acumulam alta de 3,1% em 12 meses, o menor ritmo desde maio de 2021. A taxa de participação na força de trabalho subiu para 61,6%, contribuindo para moderar pressões salariais e inflacionárias.
Impactos diretos no câmbio e na Selic brasileira
O dólar subiu aproximadamente 0,46% frente ao real, negociado em torno de R$ 5,12. As taxas dos Treasuries também avançaram, enquanto os futuros das bolsas de Nova York registraram leve queda. A reação evidencia a repercussão global do dado americano.
Juros persistentemente altos nos EUA afetam diretamente o câmbio brasileiro e reduzem a vantagem do carry trade local, operação que lucra com diferenciais de juros. Leonardo Mendes, consultor da Manchester Investimentos, explica esse mecanismo financeiro internacional.
“Com câmbio mais pressionado, o Banco Central brasileiro tende a ter menos espaço para acelerar cortes da Selic”, analisa Mendes. A pressão cambial limita a velocidade de redução dos juros domésticos e afeta ativos sensíveis à curva.
Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, indica que juros americanos elevados por mais tempo reduzem consideravelmente o apetite por ativos de risco em economias emergentes. “O dado eleva a volatilidade e coloca ainda mais relevância nos próximos indicadores de inflação dos EUA”, conclui Uarian.
Fonte: InfoMoney
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