Padre gaúcho foi pioneiro da transmissão de voz sem fio
*Da Redação*
No final do século 19, um padre cientista gaúcho realizou feito revolucionário em São Paulo. O religioso Roberto Landell de Moura conseguiu transmitir voz humana sem fios via ondas de rádio. Essa inovação o colocou à frente de seu tempo, porém longe da fama internacional que mereceu.
Na época, a única forma de comunicação rápida a distância era pelo telégrafo com cabos. Landell decidiu fazer algo considerado impossível: transmitir voz pelo ar. Apesar de sua genialidade, enfrentou obstáculos que inventores europeus não encontraram. Recebeu ignorância ao invés de investimento governamental e teve equipamentos destruídos por superstição.
Como funcionava a invenção revolucionária
No final do século 19, pesquisadores globais buscavam comunicação sem fios. Heinrich Hertz já havia confirmado experimentalmente a existência de ondas de rádio. A questão era: como utilizar essas ondas que viajam à velocidade da luz?
Guglielmo Marconi conseguiu enviar sinais em código Morse pelo ar em 1896. Porém, transmitir voz falada com som nítido representava desafio muito mais complexo para a época. Landell enfrentava essa difícil tarefa sozinho no Brasil.
No dia 16 de julho de 1899, Landell reuniu jornalistas, empresários e autoridades no Colégio Santana, zona norte paulista. Ele falou ao seu aparelho criado manualmente. A quase quatro quilômetros de distância, na Ponte Grande, pessoas ouviram claramente sua voz e o Hino Nacional.
Em 1900, repetiu o teste com alcance ainda maior: aproximadamente oito quilômetros até a Avenida Paulista. Para realizar seus feitos, Landell construiu praticamente tudo do zero sem acesso a insumos. Pesquisadores europeus dispunham de componentes disponíveis em lojas; ele precisava fabricar cada peça manualmente.
O padre foi cuidadoso em registrar suas invenções para garantir autoria das ideias. Obteve patente brasileira em 1901 e três americanas em 1904. Seus aparelhos transmitiam ondas de rádio, som por feixes de luz e telégrafo sem fio.
Em cadernos de anotações, Landell desenhou esboços do que futuramente seria televisão e controle remoto. Essas invenções o antecediam em décadas.
Por que o brasileiro não ganhou reconhecimento mundial?
Se a invenção realmente funcionava, por que Marconi ganhou mais fama que Landell? A resposta está na ausência de recursos financeiros e preconceito da época. Marconi vinha de família abastada com apoio governamental britânico.
Landell era padre sem verba trabalhando isoladamente no Brasil. O governo brasileiro recusou pedidos de financiamento para produção dos aparelhos. Pessoas supersticiosas não compreendiam como voz viajava pelo ar sem cabos.
Fanáticos religiosos invadiram o laboratório do padre destruindo suas máquinas. Consideravam aquilo feitiçaria motivados por ignorância profunda e pavor infundado. O vandalismo prejudicou gravemente suas pesquisas.
Landell de Moura faleceu em 1928, em Porto Alegre, sem ver seus inventos em produção em massa. Historiadores e cientistas atuais reconhecem o rádio como construção coletiva de vários pesquisadores. Porém, destacam o padre brasileiro como verdadeiro pioneiro dessa tecnologia transformadora.
Fonte: Olhar Digital
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