Pessimismo histórico leva gestores de fundos a reduzirem projeção de PIB para 2026

Set 17, 2026 - 06:42
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Pessimismo histórico leva gestores de fundos a reduzirem projeção de PIB para 2026

*Da Redação*

A visão negativa sobre a economia brasileira atingiu 55%, o maior patamar histórico entre gestores de fundos multimercados macro. A pesquisa foi realizada pela XP com 20 gestoras entre 4 e 11 de setembro. O pessimismo impulsionou cautela no câmbio, mas não se traduziu em apostas contra a bolsa local.

Pela primeira vez, os profissionais consultados zeraram as posições vendidas em ações brasileiras. A parcela de fundos neutros em relação ao real atingiu o maior nível já registrado. A visão positiva da economia apresentou recuperação, passando de 8% para 20%.

Revisão significativa do PIB

A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto para 2026 sofreu a maior revisão para baixo da história da pesquisa. O indicador passou de 2,0% para 1,8%. O patamar está abaixo da mediana do mercado capturada pelo boletim Focus, que aponta 1,93%.

Gestores reduzem exposição ao real

Diante da conjuntura econômica, os gestores optaram por reduzir o risco nas moedas. A parcela de fundos com posicionamento neutro em relação ao real saltou de 21% para 60%. As posições vendidas na moeda brasileira caíram de 42% para 10%.

A fatia de posições compradas cedeu, passando de 38% para 30%. Na moeda americana, movimento semelhante foi registrado com ajustes estratégicos. A posição comprada em dólar recuou de 46% para 20%, o menor patamar desde abril.

As posições vendidas em dólar subiram de 21% para 35%, e a neutralidade avançou de 33% para 45%. Os gestores buscam maior flexibilidade frente à volatilidade esperada.

Bolsa brasileira mantém atração

Na bolsa de valores brasileira, o aumento do pessimismo convive com o avanço no posicionamento comprado. Este subiu de 63% para 70%. A parcela com posições vendidas, que representava 17% em agosto, foi zerada.

No mercado internacional, os fundos realizaram ajuste de portfólio significativo. As posições compradas em ações dos Estados Unidos recuaram de 54% para 50%. A exposição comprada em ações do restante do mundo avançou de 17% para 25%.

Expectativas sobre política monetária

Em relação à política monetária, 95% dos gestores projetam a redução da taxa Selic de 14% para 13,75% na próxima reunião do Copom. Para o final de 2026, as gestoras projetam a Selic a 13,5%, patamar inferior aos 13,75% esperados pelo mercado.

A expectativa de inflação (IPCA) para o final de 2026 cedeu pela segunda vez consecutiva. O índice passou de 5,01% para 4,97%, próximo aos 5% do Focus.

Cenário internacional em trajetória positiva

A perspectiva para a economia global apresentou melhora e contrasta com o cenário doméstico. A visão positiva dos gestores sobre o mercado internacional avançou de 33% para 40%. A percepção negativa encolheu de 21% para 10%, atingindo o patamar mais baixo desde março.

Para o Federal Reserve, que decide os juros americanos na mesma data do Copom, 75% dos consultados aguardam a manutenção das taxas. A expectativa é de estabilidade nas decisões monetárias americanas.

Multimercados como ferramenta de proteção

A equipe de análise de fundos da XP ressalta que as estratégias multimercados possuem horizonte mínimo de avaliação superior a 36 meses. Estas são desenhadas para navegar em ambientes de incerteza em diferentes ciclos econômicos.

Segundo os analistas, mesmo diante de períodos de volatilidade no curto prazo, os multimercados seguem como ferramenta relevante de diversificação. A gestão ativa de risco na carteira dos investidores permanece como diferencial estratégico.

Fonte: InfoMoney


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