Proposta de reduzir reuniões do Fed ganha apoio entre dirigentes
Da Redação
Pelo menos um terço dos dirigentes do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, sinalizou abertura para se reunir com menos frequência. A proposta, apresentada por Kevin Warsh, novo presidente do Fed, representa uma das maiores mudanças estruturais já sugeridas para a instituição.
Mudança na cadência de reuniões
Atualmente, o Fed se reúne oito vezes por ano para deliberar sobre política monetária, prática mantida desde 1981. A lei exige no mínimo quatro reuniões anuais. Warsh propôs reduzir para seis reuniões regulares ao ano, realizadas aproximadamente a cada dois meses.
Segundo a proposta, haveria duas sessões adicionais dedicadas exclusivamente a discussões de tópicos econômicos estratégicos. Entre os presidentes regionais receptivos estão Beth Hammack, Jeffrey Schmid e Anna Paulson.
Warsh argumenta que seis reuniões permitiriam maior acúmulo de informações entre as sessões. Ofereceria também mais tempo para formuladores de políticas considerarem questões estratégicas de política monetária.
Precedentes internacionais
A redução marcaria mudança significativa na operação do Fed diferenciando-o de principais pares internacionais. O Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra e Banco do Japão realizam oito reuniões anuais.
Em 2014, Warsh recomendou ao Banco da Inglaterra reduzir de doze para oito reuniões ao ano. Argumentou que a economia raramente muda rápido o suficiente para justificar mudanças mensalmente. O BoE adotou a mudança.
Análise cautelosa entre dirigentes
Embora receptivos, alguns dirigentes que apoiam a proposta ressalvaram desejar análise mais aprofundada dos trade-offs. Anna Paulson afirmou estar de mente aberta e querer entender melhor as implicações.
Austan Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, declarou ser saudável revisar a comunicação. Mencionou interesse em avaliar cadência de reuniões, projeções econômicas e coletivas de imprensa pós-reunião.
Implicações para divulgação de dados
Alterar a frequência das reuniões teria implicações para os materiais que o Fed divulga. Atualmente, publica projeções econômicas e de taxas quatro vezes por ano em períodos específicos.
A mudança para seis reuniões levantaria questões sobre se e com que frequência essas projeções continuariam sendo publicadas. A divulgação está sendo examinada por força-tarefa de comunicação estabelecida por Warsh.
Cinco grupos de especialistas externos foram criados para examinar diversas práticas do Fed. Recomendações são esperadas ao Fomc até o final do ano.
Contexto de mudanças comunicacionais
A proposta alinha-se com planos gerais de Warsh para banco central menos frequente em manifestações públicas. Em junho, o Fed divulgou comunicado reduzido eliminando linguagem padronizada acumulada.
Warsh também recusou-se a se comprometer com coletivas de imprensa após cada reunião do Fomc além de 2024.
Impacto político e institucional
Segundo Vincent Reinhart, economista-chefe da BNY Investments, menos reuniões poderiam isolar o banco central. A redução diminuiria frequência de discussões de política que atraem escrutínio legislativo e da Casa Branca.
Não está claro se a proposta será discutida em detalhes na reunião marcada para 15 e 16 de setembro. Questões sobre inflação e possível aumento de juros devem dominar a agenda.
Fonte: InfoMoney
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