A Surpreendente Reviravolta Eleitoral em Mato Grosso: Como Lula Conquistou o Estado Apesar da Força do Bolsonarismo
Mato Grosso, 26 de outubro de 2026 – Em um cenário político marcado pela polarização e pela forte presença do bolsonarismo, o estado de Mato Grosso protagonizou uma reviravolta surpreendente nas eleições presidenciais deste ano. Apesar das expectativas que apontavam para uma vitória consolidada do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não apenas manteve sua base eleitoral, mas também expandiu significativamente sua votação no segundo turno, garantindo um avanço notável e contribuindo decisivamente para sua reeleição.
Os números revelam um panorama intrigante. Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e principal representante do bolsonarismo no estado, obteve um desempenho praticamente idêntico ao do primeiro turno – saltando de 65,1% para 66% dos votos, o que se traduz em quase 1,3 milhão de eleitores –, o petista Lula demonstrou uma capacidade de mobilização impressionante. Sua votação em Mato Grosso cresceu de 29,1% para 33,9%, somando 694.167 votos. Esse aumento representa um expressivo crescimento de 19% em relação à primeira etapa da disputa, evidenciando uma estratégia eleitoral que soube capitalizar o cenário pós-primeiro turno.
A chave para esse crescimento petista, segundo analistas, reside na habilidade de Lula em concentrar os votos daqueles eleitores cujos candidatos não avançaram para a segunda fase da eleição. Em um estado onde o bolsonarismo ostenta uma base sólida e influente, a capacidade de atrair e agregar diferentes segmentos do eleitorado foi crucial para a virada. Muitos eleitores que optaram por outras candidaturas no primeiro turno encontraram no petista uma alternativa viável e alinhada aos seus interesses para o segundo turno.
Outro fator de peso para o avanço do presidente Lula em Mato Grosso foi a significativa queda na abstenção. No dia 4 de outubro, um contingente considerável de 585.668 eleitores, o equivalente a 22,2% do eleitorado mato-grossense, optou por não comparecer às urnas. No entanto, no segundo turno, realizado no último domingo, esse número recuou para 552.476 pessoas, representando 20,9%. Essa diminuição na abstenção indica um maior engajamento dos cidadãos de Mato Grosso na definição do resultado nacional, e esse eleitorado que retornou às urnas parece ter se direcionado, em parte, para a campanha petista.
A prorrogação do horário de votação, que se estendeu das 16h às 18h em todo o país, também gerou discussões em Mato Grosso. A presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), desembargadora Serly Marcondes, esclareceu que a decisão de estender o horário foi recebida após o encerramento do período habitual, às 16h20, e comunicada aos juízes eleitorais cinco minutos depois. A magistrada explicou que a determinação era para que as urnas já fechadas fossem transmitidas e as que ainda estivessem abertas aguardassem até as 19 horas. Segundo Marcondes, a determinação foi cumprida integralmente no estado, com o encerramento da votação às 18h. Ela fez questão de classificar a organização do pleito como um "case de sucesso", sem a ocorrência de incidentes graves ou situações extraordinárias, e aproveitou para agradecer o papel da imprensa na disseminação de informações à sociedade.
É importante ressaltar que o salto do PT em Mato Grosso era considerado um desafio considerável, dada a forte influência do bolsonarismo e uma campanha estadual que, em alguns momentos, demorou a ganhar tração. No primeiro turno, apesar de o partido ter conseguido manter seus dois representantes na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) – com a reeleição dos deputados estaduais Lúdio Cabral e Valdir Barranco – e eleger Rosa Neide para a Câmara dos Deputados, a sigla sofreu uma derrota significativa com a não eleição do senador Carlos Fávaro (PSD).
O avanço petista, portanto, ocorreu em um contexto de intensa mobilização de lideranças políticas em prol de Flávio Bolsonaro. Entre seus principais aliados no estado, destacam-se o ex-governador Mauro Mendes (União), que foi eleito senador, e o deputado federal José Medeiros (PL), também eleito para o Senado. Mauro Mendes, inclusive, chegou a ser cotado para assumir ministérios importantes em um eventual governo do liberal, como o da Agricultura e Pecuária ou o de Minas e Energia. A força da articulação bolsonarista também se manifestou na composição da Assembleia Legislativa, com 21 dos 24 deputados estaduais aderindo à campanha de Flávio Bolsonaro. Apenas Lúdio Cabral, Valdir Barranco e o deputado Wilson Santos foram exceções a essa adesão em massa.
Apesar das complexidades e da aparente força do bolsonarismo, a reeleição de Lula em Mato Grosso demonstra a capacidade de adaptação e resiliência do Partido dos Trabalhadores, que soube explorar as nuances do cenário eleitoral e conquistar votos em um estado historicamente desafiador. A campanha de segundo turno, focada em atrair eleitores de outras vertentes e em diminuir a abstenção, provou ser uma estratégia vitoriosa, reescrevendo parte do roteiro esperado para as eleições presidenciais em um dos estados mais importantes do agronegócio brasileiro.
Informações: A Gazeta
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