Especialista aponta necessidade de qualificar uso da força nas polícias brasileiras

*Da Redação*
O Brasil registrou 6.602 mortes por intervenção policial em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Dados do Instituto Sou da Paz indicam que 94% dos brasileiros consideram suas cidades violentas.
Carolina Ricardo, diretora do Instituto Sou da Paz, afirma ser necessário qualificar o padrão de uso da força pelas polícias. A especialista defende investimento em equipamentos menos letais e saúde mental para agentes. Segundo ela, medidas preventivas dentro das corporações são essenciais para controlar violência e letalidade.
Equipamentos menos letais como alternativa
Carolina Ricardo cita a experiência de São Paulo entre 2020 e 2022 como exemplo bem-sucedido. Naquele período, o estado reduziu a letalidade com implementação de pistolas de choque. A especialista destaca intervenções em casos de violência doméstica.
“Se o policial só tem arma de fogo, vai usar e pode matar a pessoa. Com pistola de choque, protege a vítima sem precisar matar”, explica Carolina. A medida demonstra impacto direto na redução de homicídios.
Paradoxo entre dados e sensação de insegurança
Um desafio importante é a discrepância entre indicadores oficiais e percepção populacional. Enquanto alguns crimes registram queda, 94% dos brasileiros ainda se sentem inseguros.
A diretora atribui isso à alta incidência de roubos de celulares e crimes digitais associados. A exposição diária a notícias de violência nas redes sociais amplifica a sensação de insegurança. “O celular virou essencial na vida das pessoas, junto vêm golpes digitais que não conseguimos responder”, pontua.
Critérios para avaliação de planos governamentais
O Instituto Sou da Paz estabelece parâmetros para análise de propostas eleitorais em segurança pública:
- Diagnóstico: identificação de causas e dimensão dos problemas
- Competência: verificação das atribuições presidenciais
- Financiamento: definição de custos e fonte de recursos
- Implementação: avaliação da capacidade de execução
- Evidências: estudos ou experiências que sustentam propostas
- Metas: mensuração clara de objetivos e prazos
- Coordenação: integração com estados e outros poderes
- Controle: mecanismos de prevenção a abusos e desvios
Alerta sobre promessas baseadas em endurecimento penal
Carolina Ricardo alerta eleitores para desconfiarem de propostas focadas apenas em endurecimento de leis. Aumentar penas mostrou-se ineficaz historicamente. O Brasil vem mudando legislação há anos sem resultados significativos.
“Desconfie de quem joga responsabilidade ao Legislativo ou Judiciário. Precisamos cumprir penas e prender criminosos, mas isso não pode ser a medida principal”, ressalta. A especialista defende fortalecimento da investigação na Polícia Civil como prioridade.
Fonte: CNN Brasil
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