Fed reconhece desafio de controlar inflação impulsionada por IA sem prejudicar economia

Out 20, 2026 - 06:40
Atualizado: 1 dia ago
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Fed reconhece desafio de controlar inflação impulsionada por IA sem prejudicar economia

*Da Redação*

O Federal Reserve reconhece cada vez mais a inteligência artificial como fator que contribui para impulsionar a inflação. Deixando as autoridades do banco central dos EUA diante do desafio de desacelerar o restante da economia para reduzir as pressões sobre os preços amplificadas por empresas como Amazon, Apple e Anthropic.

Autoridades do Fed sabem que aumentar os custos dos empréstimos tem impacto desigual. Com empresas de IA gastando como se dinheiro não fosse problema, o impacto dos aumentos dos juros recai em outros setores: empresas, famílias mais dependentes de crédito, e pequenas e médias empresas.

Meta de inflação ainda distante

“Existem caminhos para chegar lá”, disse a economista-chefe da ADP, Nela Richardson, sobre a meta de inflação de 2% do Fed, não atingida há mais de cinco anos. “Só que nem todas as vias estão abertas”, com o mercado imobiliário já enfraquecido e o mercado de trabalho não sendo visto como fonte de inflação.

“O que resta? Pequenas empresas, porque precisam de empréstimos bancários; consumidores que precisam financiar pagamentos e dívidas; talvez o mercado de ações”, afirmou Richardson, visto como fator que sustenta gastos de famílias mais abastadas.

Perspectiva do Federal Reserve de Cleveland

A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, apontou ganhos moderados do mercado de ações e desaceleração fora do boom da IA como formas pelas quais juros mais altos poderiam esfriar a economia. “Gosto do crescimento. Só estou tentando moderá-lo um pouco”, disse Hammack à Reuters.

Os comentários de Hammack aprofundam aspecto menos discutido dos aumentos das taxas de juros: de que maneiras os custos mais altos dos empréstimos poderiam levar a inflação mais moderada.

Próximas decisões do banco central

O Fed se reúne nos dias 27 e 28 de outubro e deve manter as taxas estáveis no intervalo 3,75%-4,00%. Autoridades do Fed afirmam que provavelmente serão necessários novos aumentos e debatem o ritmo e a extensão dessas altas.

IA como “choque” para a economia

O presidente do Fed, Kevin Warsh, reconheceu que investimentos em IA representaram um “choque” para os preços e a demanda. “Se você é um banqueiro central com missão de garantir preços estáveis e pleno emprego, precisa reconhecer isso como um choque”, disse Warsh.

Em sua coletiva após a reunião de política monetária do mês passado, Warsh disse não achar que o Fed “precisaria prejudicar os mercados de trabalho” para trazer a inflação de volta a 2%.

Debate entre autoridades monetárias

“Warsh afirmou não ver conflito entre inflação e desemprego. Isso merece uma explicação mais detalhada. Ponto final”, disse o ex-presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, em painel do NABE. “Os riscos de elevar ainda mais as taxas de juros são bem conhecidos.”

A relação de compensação entre menos empregos e menos inflação nem sempre foi dramática. A queda da alta inflação da era da Covid-19 gerou apenas aumento modesto no desemprego, mantendo a taxa entre 4,0% e 4,3% por mais de dois anos.

Possibilidade de controle sem recessão

Formuladores de política monetária, incluindo Tom Barkin do Fed de Richmond e Alberto Musalem do Fed de St. Louis, afirmam que a inflação poderia cair sem afetar fortemente o crescimento. Um banco central confiável poderia levar empresas e famílias a moderar demandas salariais e de preços.

Boom de IA beneficia setores específicos

Um amplo leque de empresas se beneficia do boom da IA, particularmente aquelas que constroem centros de dados ou fabricam componentes. “As carteiras de pedidos são reais”, disse Christopher Gorman, diretor executivo da KeyCorp, aos participantes da NABE.

Clientes comerciais enumeram riscos como imigração e tarifas, mas “falam sobre como os negócios estão indo bem” e apresentam planos tanto para investimentos quanto para aumentos de preços.

Mudanças na política fiscal podem ajudar

Juhi Dhawan, estrategista macroeconômica da Wellington Management, destacou mudanças iminentes na política fiscal que podem ajudar, com cortes em benefícios de saúde pública e fim de incentivos fiscais representando cerca de 0,5% do PIB.

O mercado de ações fora das gigantes de IA não tem se mostrado tão robusto. Não se espera que os lucros corporativos sejam tão fortes no próximo ano; consumidores de renda mais baixa sinalizam redução nos gastos.

Cenários para queda de inflação

A inflação diminui “se o mercado imobiliário sofrer mais uma queda, se a construção civil sofrer mais uma queda, e se muitas empresas considerarem o custo de financiamento proibitivo”, disse Dhawan.

Para os consumidores, “há uma fragilidade subjacente, pois os salários ajustados pela inflação estão, na melhor das hipóteses, estagnados”, completou.

Fonte: InfoMoney


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