Max Russi nega repasse de R$ 112 milhões da Assembleia ao TCE: “Não existe um real sequer”

OPERAÇÃO TOMADA DE CONTAS
Parlamentar afirma que valores apontados pela Polícia Federal são resultado de ajustes na Lei Orçamentária Anual, e não de transferências financeiras entre os órgãos
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi (Podemos), negou nesta quarta-feira (4) que o Parlamento tenha transferido recursos financeiros ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). A declaração foi feita após a divulgação de um levantamento da Polícia Federal (PF) que aponta a destinação de R$ 112,3 milhões em emendas orçamentárias ao Tribunal nos anos de 2025 e 2026.
“Não existe um real sequer da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso ao Tribunal de Contas de Mato Grosso”, afirmou o parlamentar.
Max Russi contestou a interpretação de que os valores representariam repasses diretos entre os órgãos. Segundo ele, as cifras mencionadas pela investigação correspondem a alterações feitas durante a tramitação da Lei Orçamentária Anual (LOA), que estabelece a distribuição dos recursos públicos estaduais.
“E da forma que a Polícia Federal colocou no seu relatório, parece que a Assembleia Legislativa destinou um recurso ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso. Então isso não existe”, declarou.
O presidente da ALMT explicou que o Governo do Estado encaminha anualmente a proposta orçamentária ao Legislativo, onde os deputados podem apresentar emendas para ajustar os valores destinados aos órgãos públicos. Na avaliação dele, essas alterações não configuram transferências financeiras realizadas pela Assembleia.
“Nós não temos lógica, não tem lógica, um poder transferir dinheiro a outro poder. É meio estranho”, acrescentou.
A declaração ocorre no contexto da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal em 29 de outubro. Conforme o levantamento dos investigadores, o TCE-MT recebeu previsão de R$ 50 milhões em emendas em 2025 e R$ 62,3 milhões em 2026.
A PF questiona a forma como os recursos foram incorporados ao orçamento do Tribunal, especialmente diante do aumento das despesas indenizatórias. Outro ponto levantado é a ausência de identificação individual dos parlamentares responsáveis pelas emendas. Segundo a representação, os valores aparecem no Portal da Transparência atribuídos genericamente a lideranças partidárias.
A investigação busca esclarecer a origem, a execução orçamentária e a destinação final dos recursos. Até o momento, os elementos apresentados não demonstram que todas as emendas tenham sido utilizadas irregularmente.
Max Russi afirmou ainda que as discussões sobre ajustes nos orçamentos dos Poderes e órgãos autônomos ocorrem desde 2021, com participação de representantes das instituições. O deputado disse respeitar o trabalho da Polícia Federal e defendeu a continuidade das investigações para esclarecer os fatos.
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