Oito são presos em Cuiabá aplicando golpe do falso intermediário

Nov 05, 2026 - 12:36
Atualizado: 6 horas ago
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Oito são presos em Cuiabá aplicando golpe do falso intermediário

Oito homens, com idades entre 25 e 42 anos, foram presos em flagrante na tarde desta quarta-feira (4), em Cuiabá, durante a Operação Home Office, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso para desarticular uma central clandestina de fraudes eletrônicas. Conforme informações da Polícia Civil, os suspeitos operavam um esquema conhecido como golpe do falso intermediário, utilizado para enganar compradores e vendedores em negociações realizadas pela internet em diferentes regiões do país.

A ação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, após investigação que identificou uma residência no bairro Jardim Liberdade como ponto de funcionamento da estrutura criminosa. No imóvel, os policiais encontraram os investigados utilizando vários aparelhos eletrônicos ao mesmo tempo para executar as fraudes.

Como funcionava o golpe do falso intermediário

O golpe do falso intermediário é uma modalidade de estelionato que explora anúncios legítimos de compra e venda publicados em plataformas digitais. Os criminosos copiam ou republicam ofertas verdadeiras e assumem o papel de intermediadores fictícios entre as pessoas interessadas na negociação.

Na prática, o fraudador mantém contato simultâneo com o proprietário do produto e com o possível comprador. Para cada um, apresenta uma versão diferente da negociação, criando uma falsa relação de confiança entre as partes.

O comprador acredita que está pagando pelo produto anunciado, enquanto o proprietário recebe orientações de que o pagamento será realizado por outra pessoa. O dinheiro, porém, é direcionado para contas bancárias de terceiros, sem que a negociação legítima seja concluída.

Esse tipo de fraude aparece principalmente em anúncios de veículos e produtos de alto valor. A utilização de anúncios verdadeiros dificulta a identificação imediata do golpe, pois o produto pode existir e pertencer efetivamente ao vendedor anunciado.

O que a Polícia Civil encontrou na residência

Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, expedido pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias de Cuiabá, os investigadores flagraram os suspeitos em atividade. A quantidade de equipamentos e a utilização simultânea dos dispositivos chamaram a atenção da equipe responsável pela operação.

Segundo o levantamento divulgado pela Polícia Civil, foram apreendidos:

  • 28 aparelhos celulares;
  • Um notebook;
  • Um computador de mesa;
  • R$ 1,1 mil em dinheiro;
  • Dois veículos utilizados pelos investigados.

Entre os oito detidos estava um homem que já cumpria medidas cautelares com monitoramento por tornozeleira eletrônica. A informação foi confirmada pela Polícia Civil, que não divulgou a identidade dos envolvidos.

O material eletrônico apreendido deverá auxiliar na análise das comunicações, dos anúncios utilizados e de possíveis movimentações relacionadas às fraudes. A perícia dos dispositivos também poderá contribuir para identificar outras pessoas envolvidas e dimensionar os prejuízos causados aos consumidores.

Investigação busca identificar vítimas e ramificações

Após as prisões, os oito homens foram encaminhados à Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá. Eles passaram por interrogatório com o delegado Gustavo Godoy Alevato, responsável pelas investigações, e foram autuados por associação criminosa e estelionato qualificado por meio eletrônico.

A delegada Eliane da Silva Moraes, titular da unidade policial, destacou que a estrutura encontrada no Jardim Liberdade apresentava características de uma central organizada para aplicar fraudes em larga escala.

Segundo a delegada, a apreensão dos celulares e computadores representa uma etapa importante do trabalho investigativo. Os equipamentos podem fornecer informações sobre a quantidade de vítimas, os valores envolvidos e a existência de outros núcleos relacionados ao esquema.

A investigação não se limita, portanto, à identificação dos oito homens encontrados na residência. A análise dos dados digitais poderá revelar a dimensão das atividades e possíveis conexões com pessoas que atuavam fora do imóvel.

O que diz a lei sobre estelionato eletrônico?

O chamado golpe do falso intermediário pode se enquadrar no crime de estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal. Quando a fraude é praticada por meios eletrônicos, como aplicações de internet, redes sociais ou contatos fraudulentos, pode incidir a modalidade prevista no parágrafo 2º-A do mesmo artigo.

A legislação estabelece, para a fraude eletrônica, pena de quatro a oito anos de reclusão, além de multa. Já o artigo 288 do Código Penal trata da associação criminosa, caracterizada pela união de três ou mais pessoas com a finalidade específica de cometer crimes, com pena prevista de um a três anos de reclusão.

As classificações penais informadas pela Polícia Civil correspondem à fase inicial da persecução criminal. A responsabilização dos investigados depende do andamento do processo e de decisão judicial, respeitando o direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

O texto integral da legislação pode ser consultado no Código Penal, disponível no Portal da Legislação do Governo Federal.

Como evitar o golpe do falso intermediário

O caso investigado em Cuiabá reforça a importância de verificar a identidade das pessoas envolvidas em negociações pela internet. Compradores e vendedores podem adotar alguns cuidados antes de concluir uma transação:

  • Converse diretamente com o proprietário do produto anunciado.
  • Desconfie de intermediários que não conseguem comprovar sua relação com o vendedor.
  • Confirme os dados do titular da conta antes de realizar qualquer transferência.
  • Não faça pagamentos para contas de terceiros sem verificar a legitimidade da negociação.
  • Confira pessoalmente o veículo ou produto e confirme as condições da venda diretamente com o proprietário.
  • Desconfie de pedidos de sigilo sobre valores e condições combinadas entre comprador e vendedor.

Se houver suspeita de fraude, a orientação é interromper o pagamento, preservar conversas, comprovantes e anúncios e procurar uma unidade policial para registrar a ocorrência. Em caso de transferência bancária, também é importante comunicar imediatamente a instituição financeira.

A Operação Home Office representa uma etapa da investigação sobre fraudes eletrônicas com alcance nacional. A análise do material apreendido deverá ajudar a esclarecer quantas pessoas foram atingidas pelo esquema e se existem outras estruturas envolvidas. Consumidores que identificarem situações semelhantes devem procurar as autoridades e formalizar a denúncia.

Reportagem baseada em informações oficiais divulgadas pela Polícia Civil de Mato Grosso e na legislação federal disponível no Portal da Legislação do Governo Federal. As informações sobre a investigação correspondem aos dados divulgados em 4 de novembro de 2026.

Fonte: Cenário MT

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