Pen drive de Caio Cordeiro reúne 1.012 arquivos em investigação contra Wanderley Cerqueira
Pen drive apresentado por Caio Cordeiro contém áudios, contratos e denúncias sobre suposta compra de votos, pagamento de “mensalinho” e pressão contra vereadores
O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) que investiga suspeitas de corrupção envolvendo o presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), com base em um conjunto de provas que inclui um pen drive de 32 GB apresentado pelo vereador Caio Cordeiro (Novo), contendo 1.012 arquivos. O material integra a apuração da Operação Cathedra Venalis, deflagrada na terça-feira (20), e reúne contratos, denúncias, capturas de tela e gravações de áudio.
Segundo o relatório, o dispositivo foi “exibido e apreendido durante sua oitiva”. A análise busca elementos relacionados a suspeitas de organização criminosa, ameaça, extorsão, corrupção passiva, concussão e improbidade administrativa.
Em depoimento ao Gaeco, Caio afirmou que Wanderley teria oferecido R$ 100 mil para obter seu voto pela recondução à presidência da Mesa Diretora. De acordo com o parlamentar, o dinheiro estaria em uma sacola no escritório que funcionaria na casa da mãe do presidente da Câmara.
Caio também relatou ter sofrido retaliações após propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o transporte coletivo. Entre os episódios citados estão exonerações de assessores, interferências em sua atuação profissional e o furto de uma mochila com notebook e documentos ligados à fiscalização.
A investigação teve origem em uma denúncia anônima sobre uma suposta articulação para manter Wanderley na presidência da Câmara e reunir apoio para tentar cassar a prefeita Flávia Moretti (PL). O relato apontava uma reunião em 13 de maio, na véspera da eleição da Mesa Diretora, em uma chácara no Distrito da Guia, em Cuiabá.
O Gaeco monitorou o encontro com um drone. Conforme informações as imagens registraram pessoas e veículos na propriedade, onde estavam os vereadores Braz Jaciro (PSDB) e Dr. Miguel (Cidadania). A eleição ocorreu no dia seguinte, 14 de maio. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a votação para o biênio 2027/2028 por considerar excessiva a antecipação do pleito.
Outro episódio incluído na apuração envolve os vereadores de Cuiabá Alex Rodrigues e Ilde Taques, ambos do Podemos. Eles foram abordados pela Rotam após deixarem a reunião. Segundo os policiais encontraram R$ 40 mil no veículo, mas o dinheiro não foi apreendido.
O relatório também reúne o depoimento de uma testemunha com identidade preservada que relatou pagamentos mensais de aproximadamente R$ 10 mil a vereadores e oferta de cargos para assegurar apoio a Wanderley. Segundo a testemunha, os valores seriam entregues na casa da mãe do presidente ou pelo secretário legislativo Samir Katumata.
A denúncia menciona ainda uma suposta promessa de R$ 500 mil a vereadores em uma articulação que teria como objetivo afastar Flávia Moretti e influenciar o processo de privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE). A testemunha afirmou também que gravações clandestinas e cartas de renúncia assinadas antecipadamente seriam usa.
Fonte: MT+
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