Gaeco identifica R$ 546 mil transferidos de empresa de segurança para vereador de VG

Out 23, 2026 - 09:45
Atualizado: 15 horas ago
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Gaeco identifica R$ 546 mil transferidos de empresa de segurança para vereador de VG

Cilcinho também enviou R$ 75,3 mil à Grampo Segurança; relatório financeiro não aponta relação entre as operações e a suspeita de compra de votos na Câmara

O vereador de Várzea Grande Cilço da Cruz Filho, o Cilcinho (PV), recebeu R$ 546.378 da empresa Grampo Segurança e Monitoramento Ltda. entre 2023 e o início de 2024. Os repasses foram identificados pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) durante a análise financeira que integra a investigação sobre suspeitas de corrupção na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal.

Conforme o Relatório Técnico nº 146/2026, o fluxo financeiro também incluiu transferências de R$ 75.318 feitas pelo vereador à empresa. Somadas, as operações chegaram a R$ 621.696. O saldo nominal foi de R$ 471.060 em favor de Cilcinho.

As transações ocorreram antes de o parlamentar assumir o mandato, em janeiro de 2025. Embora tenham sido examinadas no inquérito que deu origem à Operação Cathedra Venalis, deflagrada em 20 de outubro, o relatório não informa qual relação comercial ou financeira motivou os pagamentos nem aponta que o dinheiro tenha sido usado para comprar apoio político.

A investigação do Gaeco apura suspeitas de negociação de votos, distribuição de vantagens financeiras e pressão sobre vereadores para favorecer a reeleição de Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Câmara. Cilcinho aparece na denúncia inicial sobre uma reunião de parlamentares em uma chácara no Distrito da Guia, antes da eleição da Mesa Diretora, realizada em 14 de maio de 2026.

Segundo a denúncia, o encontro teria sido articulado pelo grupo de Wanderley para reunir apoio à reeleição, em meio a suspeitas de utilização de dinheiro em espécie. A menção de Cilcinho nesse contexto, contudo, não comprova que as transferências feitas pela Grampo Segurança tenham relação com as supostas irregularidades eleitorais.

O levantamento financeiro também identificou pagamentos da empresa a pessoas ligadas ao vereador. Meyre Josefina Tortorelli da Cruz, identificada no relatório como esposa de Cilcinho, recebeu R$ 54.773. Já Joel Feliciano Moreira, que consta como assessor técnico parlamentar da Câmara de Várzea Grande, recebeu R$ 33.050.

A Grampo Segurança é administrada por Roberto Carrera, tem capital social declarado de R$ 100 mil e atua no setor de monitoramento eletrônico. Segundo o relatório, a empresa movimentou R$ 2,5 milhões entre janeiro e julho de 2023. Os investigadores também identificaram transferências recebidas de empresas de construção, engenharia e incorporação, além de repasses a pessoas físicas.

Ao considerar outras operações individualizadas nos relatórios de inteligência financeira, o levantamento atribui a Cilcinho movimentações de R$ 713.056. O documento registra ainda um depósito em espécie de R$ 76.449, realizado em dezembro de 2024, no qual o vereador aparece como responsável e depositante.

Em maio de 2026, a Grampo Segurança passou a constar como inapta na Receita Federal por omissão de declarações. A situação cadastral foi registrada depois do período das transferências analisadas pelo Gaeco.

Fonte: MT+

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