Reforma Tributária reposiciona estratégia operacional das empresas brasileiras

Set 02, 2026 - 16:32
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Reforma Tributária reposiciona estratégia operacional das empresas brasileiras

*Da Redação*

A Reforma Tributária provoca transformação que ultrapassa a simples substituição de impostos. Empresas reveem preços, margens, fornecedores, sistemas tecnológicos e até localização operacional. O desafio deixou de ser exclusivo das áreas financeira e jurídica.

Pesquisa Tax do Amanhã da Deloitte ouviu 148 organizações sobre impactos da reforma. Dados revelam: 89% realizaram estudos aprofundados e 86% possuem automação das operações tributárias. Contudo, 60% apontam preocupação com convivência simultânea dos sistemas antigo e novo.

Conhecimento em decisões concretas

O desafio central é transformar conhecimento das novas regras em ações objetivas. Empresas enfrentam questões estratégicas: quanto cobrar por produtos, onde localizar centros de distribuição, quais fornecedores permanecerão competitivos e quanto capital será necessário.

Caroline Verginelli, sócia da Consultoria Tributária Deloitte, afirma: esta não é apenas reforma tributária, mas mudança completa da estratégia empresarial brasileira. Todos os departamentos devem participar da implementação.

O fim gradual dos incentivos fiscais pode levar empresas a redesenhar logística e centros de distribuição. Simultaneamente, a área comercial recalcula preços enquanto compras avalia impactos sobre fornecedores.

Reposicionamento geográfico em análise

Entre empresas que recebem incentivos e avaliaram a reforma, 57% consideram rever localização geográfica ou ajustes na cadeia de suprimentos. Outros 27% avaliam mudanças na cadeia sem reposicionar geograficamente.

Luiz Rezende, sócio líder de Consultoria Tributária Deloitte, afirma que planejamento tributário e estratégia empresarial devem convergir. A reforma impacta diretamente operações, envolvendo eficiência logística, proximidade de mercados e resiliência das cadeias.

Formação de preços ao consumidor

O consumidor pode sentir efeitos mais rapidamente na formação de preços. Entre empresas que estudaram impactos, 51% projetam aumento de carga tributária, 19% esperam neutralidade e 16% calculam redução.

Diferença importante existe entre aumento efetivo de carga e aumento artificial de preços. Daniel Loria, sócio do Loria Advogados e ex-diretor da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária, alerta para cálculos conservadores excessivos.

Algumas empresas adicionam CBS ao preço bruto sem retirar a carga tributária antiga primeiro. Segundo Loria, isso cria aumentos artificiais e potencial risco inflacionário. Empresas capazes de calcular corretamente créditos podem alcançar preços mais competitivos.

Rezende informa que Deloitte trabalha em aproximadamente 400 projetos relacionados à reforma. Observa diferença entre simulação técnica e decisão comercial. Algumas empresas incorporam preventivamente o imposto nas negociações com fornecedores.

Capital de giro em risco

Risco menos visível, mas sensível para companhias, envolve o capital de giro. Com extinção de PIS e COFINS, empresas utilizarão saldos credores dos tributos antigos para compensar débitos da CBS.

O mecanismo operacional usa o Pedido de Utilização de Crédito (PUC) dentro do PER/DCOMP. A preocupação central é com a velocidade dessa autorização pelas autoridades federais.

Demora na liberação de créditos obrigará empresas a retirar mais recursos do caixa para novos tributos. Rezende ilustra: empresa que desembolsaria R$ 10 após compensação poderia precisar retirar R$ 20 sem o crédito temporário.

Agravante adicional: transição ocorre após pagamento de 13º salário em ambiente de juros elevados. Demora na compensação poderia forçar empresas a buscar crédito adicional quando enfrentam endividamento alto.

Tecnologia ganha centralidade nas prioridades

Tecnologia aparece com peso significativo nos preparativos. Pesquisa revela: 72% das empresas aumentaram investimentos em tecnologia e 77% pretendem ampliar gastos durante 2026. Trinta e seis por cento utilizam inteligência artificial nas áreas tributárias.

Não se trata apenas de novo software fiscal. Sistemas de ERP, documentos fiscais, formação de preços, contas a pagar e receber precisarão integração total para mudanças da nova estrutura tributária.

Fonte: InfoMoney


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