Fitch aponta necessidade de ajuste fiscal crível para estabilizar economia brasileira

Set 02, 2026 - 16:32
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Fitch aponta necessidade de ajuste fiscal crível para estabilizar economia brasileira

Da Redação

A classificação de risco do Brasil permanece relativamente estável desde 2015, mas vulnerabilidades aumentam nas finanças governamentais. Shelly Shetty, responsável pelos ratings soberanos da Fitch Ratings para América Latina, apresentou essa avaliação em evento realizado em São Paulo.

O Brasil segue sendo uma economia grande e diversificada, com balanço externo forte e Banco Central atuante. Contudo, as principais fraquezas concentram-se no setor público, governança deficiente, déficit público elevado e dívida crescente.

Crescimento econômico em desaceleração

A economia brasileira deve crescer cerca de 2% neste ano, desacelerando em 2026 pela política monetária restritiva. O ritmo deve retomar para aproximadamente 2% em 2028, sem perspectivas de aceleração nos períodos seguintes.

A demanda doméstica impulsionou o crescimento recente, mas atingiu seus limites com juros altos e endividamento das famílias. A taxa de investimento permanece estagnada em 17% do PIB, abaixo dos Estados Unidos e Argentina.

Shetty aponta que razões estruturais explicam o baixo investimento, relacionadas à falta de reformas que reduzam o custo Brasil, além de juros elevados e confiança empresarial afetada.

Inflação controlada, mas acima da meta

A inflação mostra-se controlada, embora o processo de desinflação esteja em andamento com preços acima do centro da meta. As projeções indicam inflação de 5% este ano e cerca de 3% em 2027 e 2028.

O Banco Central tem sido disciplinado e cauteloso na redução dos juros. As taxas reais de juros no Brasil permanecem extremamente altas comparadas a outros países, afetando o endividamento das famílias e setores como o imobiliário.

Maior déficit fiscal da América Latina

O Brasil apresenta o maior déficit fiscal da América Latina, mas com composição diferente de outros países. Enquanto em outras nações o déficit provém principalmente do resultado primário, aqui é explicado pelo elevado peso dos juros.

Controlar os gastos é um dos principais desafios para os próximos anos. Desde 2019, houve aumento tanto de receitas quanto de despesas, caracterizando um padrão de arrecadar e gastar mais.

O limite de despesas do arcabouço fiscal não tem se mostrado eficiente em conter o avanço dos gastos. O teto de crescimento de 2,5% ao ano supera a estimativa de crescimento potencial, significando que a regra não levaria a redução dos gastos públicos em relação ao PIB.

Trajetória da dívida pública em questão

A relação entre dívida e PIB está em 80%, segunda maior entre países em desenvolvimento e bem acima da média de 32%. O cenário base da Fitch prevê continuidade no crescimento da dívida.

No pior cenário, sem ajuste fiscal, a dívida brasileira atingiria 95% ou 100% do PIB nos próximos anos. Já no cenário positivo, com ajuste fiscal e geração de superávits primários, a dívida se estabilizaria entre 85% e 90% do PIB.

Fitch analisa perspectivas pós-eleição

Shetty vê uma disputa eleitoral acirrada e afirma que a Fitch analisará como o futuro presidente lidará com o ajuste fiscal. Um ajuste fiscal crível será fundamental independentemente de quem vencer as eleições presidenciais.

A economista cita o exemplo da Colômbia, onde os juros dos títulos caíram após as eleições com a mudança de percepção sobre ajuste fiscal. Um ciclo virtuoso é possível com credibilidade no ajuste, levando a redução dos custos com juros e contribuindo ao crescimento econômico.

Fonte: InfoMoney


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