Tragédia em Sinop: Laudo Revela Crueldade e Indiferença na Morte de Criança com Paralisia Cerebral

Set 23, 2026 - 09:00
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Tragédia em Sinop: Laudo Revela Crueldade e Indiferença na Morte de Criança com Paralisia Cerebral
Reprodução

Um laudo de necropsia chocante veio a público nesta quarta-feira, detalhando as circunstâncias brutais que levaram à morte de uma menina de apenas dois anos, portadora de paralisia cerebral. As conclusões dos peritos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontam para um cenário de extrema negligência e crueldade, culminando em asfixia mecânica aguda provocada pelos próprios pais. O documento, ao qual o Jornal A Gazeta teve acesso com exclusividade, não poupa detalhes sobre a indiferença demonstrada pelos genitores, não apenas durante a vida da criança, mas também após o seu trágico falecimento.

O histórico da vítima, o relatório de óbito emitido pelo médico plantonista e a avaliação do corpo de delito dos acusados durante suas prisões, todos convergem para um padrão de comportamento "desnaturado" por parte dos pais. Essa conduta, descrita no laudo como causadora de "estranheza, incômodo e repulsa em todas as interações com profissionais que se tem registros", revela um distanciamento alarmante da realidade e das necessidades da filha.

Segundo o laudo pericial, embora a criança estivesse em um "sofrível estado crônico de subnutrição e desidratação", a causa direta de seu óbito foi a asfixia mecânica aguda, resultante de constrição cervical extrínseca, popularmente conhecida como esganadura. A morte, confirmada na manhã do último domingo (20) em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Sinop, a aproximadamente 500 km ao norte da capital, desencadeou a prisão em flagrante dos pais.

A mãe, identificada como menor de 17 anos, foi autuada por ato infracional análogo aos crimes de homicídio qualificado e maus-tratos. O pai, por sua vez, foi formalmente acusado pelos crimes de homicídio qualificado e maus-tratos contra a menor. Inicialmente, antes da confirmação da causa da morte, o caso estava sendo tratado pelas autoridades como maus-tratos e omissão de socorro.

A Polícia Civil foi acionada após a equipe médica da UPA André Maggi comunicar a chegada de uma criança em parada cardiorrespiratória, levada ao hospital pelo próprio pai. Ao examinarem a menina, os profissionais de saúde constataram que ela já apresentava sinais clínicos de óbito há pelo menos uma hora, além de visíveis sinais de subnutrição e condições precárias de higiene.

Conforme relatado pelos pais, a criança teria sido vista com vida durante a madrugada. No entanto, entre as 5h e 6h da manhã, eles teriam percebido que ela não respondia mais. O atendimento médico só foi procurado posteriormente, com a chegada à unidade de saúde por volta das 7h. A gravidade da situação é reforçada pelo fato de a criança possuir um histórico recente de internação, ocasião em que já apresentava sinais de desnutrição, o que levou ao acionamento do Conselho Tutelar.

Diante da gravidade dos fatos, a Polícia Civil deslocou-se até a unidade de saúde, comunicou os desdobramentos ao delegado plantonista e solicitou a intervenção do Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos necessários. Os genitores foram conduzidos à delegacia para prestar esclarecimentos. Após a análise das circunstâncias e com base nas evidências, incluindo o laudo pericial, eles foram autuados em flagrante.

Este caso trágico levanta sérias questões sobre a responsabilidade parental, a importância da rede de apoio social e a necessidade de vigilância e intervenção em situações de vulnerabilidade infantil. A frieza e a indiferença descritas no laudo pericial pintam um quadro desolador da fragilidade da vida e da complexidade dos crimes que vitimizam os mais indefesos.

O Jornal A Gazeta continuará acompanhando os desdobramentos desta investigação.

Fonte de Informações: Gazeta Digital

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