Vereador reclama de arrombamento durante operação: “Não esperaram eu abrir”

Out 22, 2026 - 08:32
Atualizado: 2 dias ago
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Vereador reclama de arrombamento durante operação: “Não esperaram eu abrir”

Raul diz que foi surpreendido pelo Gaeco, teve o celular apreendido e nega ter sofrido pressão para votar na eleição da Mesa Diretora

O vereador Raul Curvo (Republicanos), de Várzea Grande, afirmou que foi surpreendido pela Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) na terça-feira (20). Alvo de mandados de busca e apreensão, ele relatou que policiais entraram em sua residência antes que conseguisse abrir a porta e também realizaram buscas em seu escritório.

Em entrevista à imprensa, Raul disse desconhecer os motivos da diligência e reclamou de não ter tido acesso à decisão judicial que autorizou as buscas.

“Eu, na verdade, não sei. Fui pego de surpresa hoje. Se eles tivessem me convidado, estaria lá e prestaria todos os esclarecimentos, até porque minha vida é um livro aberto”, declarou.

Segundo o vereador, os agentes arrombaram a porta quando ele foi atendê-los. “Na hora que eu fui abrir a porta, eles quebraram. Não esperaram eu abrir”, afirmou.

Raul disse que os policiais não levaram documentos ou outros objetos de sua residência, mas apreenderam seu celular. No escritório, conforme o parlamentar, foram recolhidos documentos e um HD que estaria estragado havia anos.

O vereador também relatou que um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanhou parte da diligência, mas deixou o local por não ter tido acesso à decisão judicial.

O Gaeco, por sua vez, negou irregularidades no cumprimento do mandado. Segundo os agentes, a porta foi aberta à força porque o alvo não teria atendido voluntariamente à ordem judicial.

VEREADOR NEGA PRESSÃO SOBRE VOTO

A investigação apura suspeitas de irregularidades na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande, incluindo possível compra de votos para garantir a reeleição de Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência do Legislativo.

Questionado sobre a votação, Raul afirmou que não sofreu pressão nem recebeu ameaças para escolher o candidato. “Eu sempre digo: voto é livre. A gente vota em quem quer. Ninguém pode forçar. Ninguém manda no meu voto, ninguém compra o meu voto”, declarou.

O parlamentar confirmou que votou em Wanderley na eleição anterior. Segundo ele, a decisão foi tomada após assumir o compromisso de apoiá-lo.

“Eu declarei meu voto no Wanderley na eleição passada. Fui procurado por outros candidatos, mas falei que já tinha dado minha palavra”, afirmou.

Raul acrescentou que mantém convivência com os demais vereadores, mas disse não ter presenciado nem participado de situações de ameaça. Também afirmou que não acompanha com frequência as conversas nos grupos de WhatsApp dos parlamentares.

INVESTIGAÇÃO ABRANGE TRÊS MUNICÍPIOS

A Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.

O Gaeco apura a possível atuação de uma organização criminosa voltada à obtenção de vantagens indevidas, à cooptação de agentes públicos e à prática de corrupção e outros crimes contra a Administração Pública.

As buscas têm como objetivo reunir provas para aprofundar as investigações. A inclusão de Raul Curvo e de outros parlamentares entre os alvos não significa que tenham cometido crimes; as responsabilidades individuais ainda serão apuradas.

Fonte: MT+

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