Brasil deve fortalecer diplomacia agrícola em novo cenário geopolítico global

Da Redação
O cenário comercial internacional passa por transformações profundas. O multilateralismo enfraquece enquanto países adotam estratégias protecionistas com barreiras tarifárias e não-tarifárias. O Brasil necessita potencializar sua diplomacia agrícola neste contexto.
A conclusão surgiu durante painel sobre o papel do agro no reordenamento geopolítico, realizado no Global Agribusiness Festival em São Paulo.
Oportunidades em produtos específicos
Jean-Pierre Bou apontou aumento nas exportações brasileiras de café. Conversas avançam para liberar embarques de frango e mel. Contudo, reconheceu dificuldades sanitárias relacionadas à carne bovina.
Bou reafirmou a importância de manter compromissos com sustentabilidade nos negócios internacionais.
China redefine segurança alimentar como questão estratégica
Pablo Ibañez, professor associado da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, explicou que a China desafia a hegemonia econômica americana. O gigante asiático investe em ciência e tecnologia no mesmo patamar dos EUA.
No setor alimentar, a China classificou segurança alimentar como questão de segurança nacional. Outros países seguem o mesmo caminho. “A economia passa por processo de securitização”, observou Ibañez.
Brasil deve priorizar interesse nacional
Como o Brasil não participa de decisões globais, precisa se adaptar ao reordenamento. Ibañez recomendou colocar interesse nacional acima de disputas ideológicas.
Barreiras comerciais exigem pragmatismo
Laura Antoniazzi, pesquisadora da Agroicone, citou tarifas americanas e o novo Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento. O Brasil pode questionar exigências, mas deve ser pragmático.
O mercado europeu possui importância estratégica demais para ser negligenciado nas negociações comerciais.
Diplomacia coordenada entre público e privado
Antoniazzi defendeu “diplomacia do agro”, movimento de negociações que precisa coordenação entre setores público e privado. Brasil já possui 40 postos de adidos agrícolas em embaixadas mundiais.
O trabalho deve combinar aspectos comerciais com esclarecimento sobre “valor das cadeias produtivas brasileiras”, defendeu a pesquisadora.
Sustentabilidade como diferencial competitivo
Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, destacou capacidade brasileira de fornecer alimentos de qualidade e sustentáveis. Globalmente, cerca de 3 bilhões de pessoas consomem proteína abaixo das recomendações internacionais.
“Temos alimentos saudáveis, seguros e muito sustentáveis. Não somos melhores que ninguém, mas ninguém é melhor que nós”, afirmou Santin sobre o diferencial brasileiro.
Fonte: InfoMoney
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