Brasileiro completa travessia do Atlântico remando em 136 dias

Da Redação
A cidade portuária de Lüderitz, na Namíbia, serviu como ponto de partida para Raphael Garcia, 34 anos, que completou a travessia do Oceano Atlântico remando sozinho. O paulistano, que atualmente reside na Nova Zelândia, levou 136 dias para cruzar o oceano e retornar ao Brasil.
Garcia inspirou-se no feito histórico de Amyr Klink, realizado 42 anos antes, do mesmo local. Após ler o livro “Cem dias entre céu e mar” em 2022, o engenheiro elétrico decidiu repetir a jornada e iniciou dois anos de treinamento intensivo para se preparar.
Preparação e treinamento
A preparação envolveu uma abordagem sistemática de desenvolvimento físico. Garcia utilizava avaliações semanais para monitorar seu progresso nos treinos de remo, aumentando gradualmente a intensidade.
Machucados durante o período de preparação atrasaram seu cronograma. Lesões no ombro resultaram em nove meses sem treinar, mas o engenheiro manteve o foco no objetivo final da travessia.
Riscos da navegação solitária
A viagem apresentou desafios extremos relacionados ao tráfego marítimo internacional. Navios gigantes circulam diariamente pela mesma rota, representando o maior perigo para uma embarcação pequena de seis metros.
Um incidente crítico ocorreu durante tempestade quando um navio se aproximou a apenas 300 metros. Garcia precisou sair do barco em ondas de cinco metros para ativar o rádio VHF e avisar o capitão sobre a colisão iminente.
Rotina e navegação
Garcia estudou as correntes marítimas para otimizar o desempenho da travessia antes da partida. Durante a noite, permitia-se ficar à deriva; nas manhãs, corrigia a rota usando GPS para compensar desvios.
Os desvios causados pelas correntes variavam em tempo de correção. Algumas rotas foram realinhadas no mesmo dia, enquanto outras exigiram semanas de remada para retornar ao trajeto correto.
Desafios iniciais
Nos primeiros dias, uma tempestade severa desviou o barco 150 quilômetros da rota planejada. Garcia enfrentou quatro dias de condições extremas, momento em que considerou a viagem quase perdida, apenas um mês após a partida.
O brasileiro nunca solicitou resgate durante toda a jornada, apesar das dificuldades. Seu ídolo Amyr Klink também enfrentou momentos tensos no início, incluindo uma colisão com uma embarcação de acompanhamento.
Alimentação e restrições médicas
Garcia enfrenta uma condição médica que exigiu cuidados alimentares especiais durante a travessia. Portador de apenas um rim com tendência a cálculos renais, baseou sua dieta em alimentos desidratados com baixo teor de sódio.
As opções nutricionais foram extremamente limitadas pela condição médica. Durante quase meio ano, Garcia consumiu o mesmo alimento em dias alternados, criando refeições altamente repetitivas e monótonas.
Chegada ao Brasil
Garcia chegou em Salvador após completar a travessia de 136 dias. Seu ídolo Amyr Klink o aguardava no porto para recebê-lo.
Visivevavelmente cansado, mas feliz, Garcia finalmente compreendeu por que Amyr Klink nunca repetiu a jornada. A experiência revelou a extrema dificuldade da empreitada.
Fonte: CNN Brasil
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