Governo Lula descarta medidas de austeridade diante de pressões fiscais

Set 02, 2026 - 16:32
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Governo Lula descarta medidas de austeridade diante de pressões fiscais

Da Redação

José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, rechaçou propostas de investidores para redução de gastos públicos. O ex-presidente da Petrobras descartou a necessidade de austeridade caso o petista vença as eleições de outubro.

Gabrielli classificou como exagerada a avaliação sobre uma suposta crise fiscal brasileira. Ele integra a ala mais progressista do Partido dos Trabalhadores, contrastando com posições mais moderadas do ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Rejeição a cortes em políticas sociais

O articulador político rejeitou sugestões do mercado financeiro, incluindo fim dos aumentos reais do salário mínimo. Mudanças nas regras de gastos mínimos obrigatórios em saúde e educação também foram descartadas.

“Essas duas coisas são praticamente impossíveis de aceitar, porque um governo comprometido com o combate à desigualdade não pode aceitá-las”, afirmou Gabrielli. Ele defendeu ganhos de eficiência nos gastos públicos como alternativa.

Situação fiscal do Brasil

Desde seu retorno ao poder em 2023, a dívida bruta do governo aumentou mais de dez pontos percentuais. O indicador alcançou 82,5% do Produto Interno Bruto, gerando preocupação entre agentes do mercado financeiro.

O governo apresentou meta de superávit primário para o próximo ano. Muitos investidores questionam a credibilidade dessa promessa diante do cenário fiscal atual.

Durigan reconheceu recentemente que as preocupações com o crescimento da dívida pública são legítimas. O ministro concordou que o governo deve responder aos questionamentos sobre expansão de gastos.

Encontro com setor empresarial

Lula recebeu na segunda-feira grupo de dezesseis dos principais executivos e banqueiros do país. Presentes incluíram Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, e André Esteves, do BTG Pactual.

Muitos participantes argumentaram que a política fiscal prejudica os balanços das empresas. Segundo eles, a situação mantém os juros em patamares elevados.

Lula respondeu afirmando que a relação dívida/PIB esteve mais crítica em governos anteriores. O presidente reafirmou seu compromisso com responsabilidade fiscal histórica.

O mandatário reconheceu que os juros permanecem altos, mas reiterou que respeitará autonomia do Banco Central. O encontro foi descrito como cordial por fontes presentes.

Estratégia fiscal indefinida

O presidente ainda não definiu sua estratégia fiscal para eventual reeleição. Gabrielli afirmou que essa indefinição integra o método de trabalho do presidente.

“Esse é o estilo dele. Ele deixa as ideias circularem e os debates acontecerem para, em determinado momento, tomar sua decisão”, explicou o coordenador do programa.

Juros e inflação como fatores críticos

Gabrielli e Durigan apontam juros de 14% como principal fator no aumento da dívida pública. O elevado custo do crédito pressiona famílias e empresas, aumentando inadimplência.

O Banco Central argumenta que gastos públicos estimuladores de crédito dificultam inflação na meta de 3%. Gabrielli discorda e critica a meta como excessivamente rigorosa.

“Uma inflação de 3% no ambiente global atual é uma meta extremamente exigente”, argumentou o ex-presidente da Petrobras.

Alternativas ao aperto fiscal

Gabrielli defende que ganhos de eficiência nos gastos públicos seriam mais eficazes que endurecimento de regras. Redução de subsídios ineficazes integra suas propostas.

O coordenador cita também mudanças na distribuição de emendas parlamentares no Orçamento federal. Essas medidas poderiam melhorar a situação sem recorrer à austeridade.

Como evidência de que não há crise fiscal severa, Gabrielli destaca mais de US$ 300 bilhões em reservas internacionais. O país possui colchão de liquidez do Tesouro cobrindo quase oito meses de vencimentos.

“Uma solução de austeridade, quando a austeridade não é o problema, apenas piora a situação”, concluiu Gabrielli sobre o assunto.

Fonte: InfoMoney


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