Caça aos gases de efeito estufa: avião-laboratório da Alemanha sobrevoa Mato Grosso para mapear emissões no Pantanal, Cerrado e Amazônia

Uma megaoperação científica internacional colocou em voo sobre Mato Grosso uma das aeronaves de pesquisa mais avançadas do planeta.
A missão HALO / CoMet 3.0 Tropics reúne o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o Inpe e mais cinco órgãos brasileiros para rastrear, mapear e quantificar as concentrações de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) nos biomas Pantanal, Cerrado e Amazônia.
O projeto utiliza um jato executivo Gulfstream G550 hipermodificado para operar como laboratório aéreo de alta altitude, capaz de alcançar a estratosfera e cruzar a atmosfera mato-grossense coletando dados em tempo real.
Ciência de ponta para separar o ‘imposto humano’ das emissões naturais
A pesquisa mobiliza 120 cientistas (60 alemães e 60 brasileiros) com um objetivo estratégico: calibrar modelos estatísticos para diferenciar o que é emissão natural das terras alagadas do Pantanal do que é poluição provocada pelo homem por meio de incêndios florestais, manejo do solo e pecuária.
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O ‘efeito esponja’ do Pantanal: Maior planície alagável do mundo, o Pantanal possui mais de 10 mil lagos e é um emissor natural gigante de metano. A missão quer medir exatamente onde termina a química natural da decomposição orgânica e onde começa o impacto das queimadas;
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Rastreamento de poluição ‘importada’: Instrumentos de precisão vão identificar se massas de fumaça e gases estufa detectados sobre Cuiabá, Cáceres e o interior são gerados em solo mato-grossense ou se estão sendo trazidos pelo vento de outros estados e países vizinhos;
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Dados terrestres e apoio local: A Unemat atua no solo cruzando medições atmosféricas do jato com coletas de água e solo, além de orientar as rotas de voo com base na dinâmica dos focos de calor e dados meteorológicos locais.
Tecnologia convertida em política pública
Além da Unemat e do DLR alemão, o consórcio conta com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP), Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), Seciteci-MT e o financiamento da Fapemat.
O mapeamento servirá de base técnica para que o Governo de Mato Grosso comprove internacionalmente suas metas de descarbonização, balize políticas de combate a incêndios e proteja a produção sustentável do estado contra sanções ambientais do exterior.
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