XP recomenda cautela do BC nos cortes de juros diante de pressões inflacionárias

Da Redação
A “lua de mel” com a inflação chegou ao fim. Após surpresas baixistas desde maio, o IPCA-15 registrou alta de 0,70% em setembro, indicando mudança na trajetória de queda de preços. A XP divulgou essa análise em seu boletim Brasil Macro Mensal na quarta-feira.
Os economistas Basiliki Litvac e Alexandre Maluf atribuem a aceleração principalmente ao rebote do fim do crédito de Itaipu nas contas de energia. Outros fatores contribuíram, como aumentos na alimentação doméstica e transportes, superando estimativas iniciais.
Inflação sob pressão nos próximos dois anos
A instituição alerta que as perspectivas de inflação permanecem sob pressão significativa. No quarto trimestre, o IPCA acumulado em 12 meses ultrapassará o limite superior da meta estabelecida.
Os preços de alimentos devem aumentar ainda mais, refletindo condições climáticas adversas influenciadas pelo El Niño, combinadas com sazonalidade menos favorável e carne mais cara. A inflação de serviços, especialmente em categorias intensivas em mão de obra, permanecerá resiliente.
Diante disso, a XP elevou a projeção de IPCA para 2026 de 5,0% para 5,1%. A inflação estimada para 2027 foi revisada de 4,2% para 4,4%, mantendo riscos de alta.
Petróleo e combustíveis ampliam pressões
Analistas projetam que preços de petróleo próximos a US$ 100 por barril pressionarão reajustes de combustíveis, acima da premissa inicial de US$ 85 para o semestre.
Chuvas intensas interromperam a moagem de cana-de-açúcar, revertendo quedas de preços de etanol observadas entre março e agosto. Essa reversão adiciona pressão sobre bens industriais e gasolina.
Sobre preços regulados, a XP estima que subsídios contêm o repasse de custos. A projeção mantém bandeira tarifária verde para energia em novembro e dezembro.
Mapeamento de riscos específicos
Um El Niño mais forte pode afetar a oferta de alimentos por período prolongado. Nesse cenário, estimativas apontam aumento de 0,20 a 0,25 ponto percentual no índice cheio.
Condições hidrológicas desfavoráveis podem acionar bandeiras tarifárias amarelas em 2027, adicionando 0,10 p.p. à inflação do ano. Conflitos no Oriente Médio poderiam ampliar defasagem entre referências internacionais e domésticas.
A implementação da nova estrutura do IPCA a partir de janeiro de 2027 representa outra fonte de incerteza. Aumento no peso de serviços pode adicionar 0,10 a 0,20 p.p. à inflação.
BC deve proceder com cautela nos juros
Apesar dos sinais contrários, a XP projeta cortes graduais nas taxas nos próximos meses. O economista Rodolfo Margato afirma que não espera mudanças relevantes no “plano de voo” do BC.
A XP mantém projeções de Selic em 13,25% até o final de 2026 e 11,50% em 2027. O cenário inclui reduções de 25 pontos-base em novembro, dezembro e janeiro, seguidas por cortes de 50 pontos-base até junho de 2027.
Dinâmica econômica apresenta sinais mistos
No ambiente doméstico, o enfraquecimento da atividade econômica torna-se mais claro. A desaceleração é generalizada entre setores, com baixo dinamismo da demanda e custos de produção elevados.
Espera-se estagnação ou contração moderada do PIB no semestre atual. O próximo ano provavelmente apresentará crescimento abaixo do potencial, empurrando o hiato do produto para negativo.
Por outro lado, riscos de inflação aumentam. O debate eleitoral pode impactar perspectivas de reformas fiscais, afetando trajetórias de taxas de juros especialmente no médio prazo.
A XP considera que, se a dinâmica cambial permanecer favorável e expectativas de inflação recuarem, o Copom poderia acelerar o ritmo de afrouxamento para 50 pontos-base já em dezembro.
Fonte: InfoMoney
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