Inflação recua, mas economistas alertam para riscos estruturais à frente

Set 05, 2026 - 09:42
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Inflação recua, mas economistas alertam para riscos estruturais à frente

Da Redação

A deflação de 0,40% do IPCA-15 animou o mercado e trouxe alívio passageiro aos consumidores mato-grossenses. O indicador, considerado prévia da inflação oficial, beneficiou-se principalmente do bônus de Itaipu nas tarifas de energia elétrica. Porém, economistas consideram este respiro temporário e advertem sobre pressões estruturais.

O temor entre especialistas é de piora significativa que não apenas dificultaria a queda dos juros, mas abriria caminho para estagflação. Fábio Romão, economista sênior da 4intelligence, alerta que alta importante ocorrerá em setembro, conhecida em outubro.

Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, avalia que a queda do IPCA em agosto é pontual. Resulta da devolução de bônus energético e período favorável a produtos agrícolas. A Tendências projeta inflação de 5,3% em 2026 e 4,2% em 2027.

Um processo desinflacionário consistente exigiria esfriamento mais amplo da atividade econômica, ainda não ocorrido. Campos Neto sustenta que é necessário desacelerar economia e consumo para que inflação caia e juros entrem em trajetória mais intensa de queda.

Alimentação segue como desafio estrutural

O patamar que a alimentação atingiu desde o início da pandemia impede melhora na percepção do custo de vida. Mesmo com deflações pontuais em julho e agosto, o nível acumulado continua consumindo parte relevante da renda familiar mato-grossense.

Romão afirma que deflações moderadas de curto prazo não eliminarão a percepção do consumidor sobre encarecimento alimentar. Comprar no mercado custa mais agora que no início de 2020, evidentemente.

O El Niño representa o principal risco para alimentos nos próximos meses, afetando produção agrícola no último trimestre de 2025 e primeiro semestre de 2027. A 4intelligence projeta inflação de 5,1% em 2026 e 4,5% em 2027.

Os serviços constituem outra frente de resistência inflacionária. O segmento subiu 6,01% em 2025 e mostrou moderação recente, levando 4intelligence a revisar para 5,1% sua projeção anual. Embora núcleos tenham recuado para patamares abaixo de 4%, serviços justificam cautela nas decisões de juros.

Petróleo pressiona câmbio e inflação

A instabilidade global atinge a inflação brasileira principalmente pelo petróleo. Com o Brent em US$ 95 por barril, custos de produção e transporte sobem internamente. Crises no Leste Europeu e Estreito de Ormuz limitam ações governamentais de contenção.

Silvio Campos Neto destaca que subvenções temporárias não barram efeitos indiretos nas cadeias produtivas. Transporte e fertilizantes acabam contaminados pela alta petrolífera, obrigando Banco Central a monitorar commodity e câmbio constantemente.

O maior risco imediato é choque externo anular esforço interno de controle de preços. Romão alerta: escalada do conflito EUA-Irã pode bater no petróleo e câmbio, gerando inflação mais alta mesmo com atividade perdendo força.

Questão fiscal amplifica riscos

A questão fiscal é vetor adicional de pressão sobre inflação brasileira. Ausência de âncora fiscal crível representa maior obstáculo à convergência inflacionária longo prazo, mantendo juros longos pressionados.

Carlos Primo Braga, ex-diretor de política econômica e dívida do Banco Mundial e professor da Fundação Dom Cabral, aponta endividamento como raiz do problema. Dívida bruta federal supera 95%, resultado de despesas crescentes acima das receitas desde 2023.

Combinada à inflação persistentemente próxima do teto de 3% com tolerância de 1,5 ponto, essa fragilidade eleva chances de dominância fiscal. Cada elevação de 1% na Selic acrescenta R$ 50 a R$ 60 bilhões ao carregamento da dívida.

Braga afirma: única solução é apertar o freio na política fiscal. Sem ajuste focado em despesas obrigatórias, país caminha para crescimento menor em 2027 com inflação resistente.

Fonte: InfoMoney


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